segunda-feira, 28 de novembro de 2016

10 ferramentas pra quem gosta de ver as coisas de um ponto de vista mais numérico

Ciniro Nametala - Escrito na tarde de 28 de Novembro de 2016 em Belo Horizonte, Minas Gerais.



Eu havia visto uma lista com diversas ferramentas que se utilizavam de dados abertos do governo federal (dados.gov.br) para fazer análises estatísticas interessantes em vários segmentos. Depois de conferir todas as fontes e separar as que funcionavam, incrementei com mais algumas outras ferramentas com a mesma proposta que conhecia e elaborei a lista abaixo. São 10 sites, apps, ferramentas (chame como quiser) muito bacanas pra quem gosta de ver as coisas de um ponto de vista mais numérico. Aproveitem!




1) DataViva: Maior plataforma de visualização de dados sociais e econômicos do Brasil. Muito legal para levantar dados, exportar datasets, fazer análises e comparações sobre diversos segmentos.

2) Observatório do investimento: Projeto desenvolvido pelos alunos do DCC/UFMG para monitorar sites de notícias e mídias sociais e levantar dados relevantes que denotam o humor dos mercados.

3) Para onde foi o meu dinheiro: Demonstra de uma forma gráfica e interativa como o orçamento foi executado, na esfera federal e no estado de São Paulo. O aplicativo permite ver a distribuição dos investimentos do governo em suas áreas temáticas como educação, saúde, assistência social, trabalho etc.

4) Aeroportos Brasil: Este é um aplicativo que mostra o movimento de aeronaves e passageiros nos aeroportos administrados pela Infraero. Em aeronaves, estão computados pousos e decolagens. Em passageiros, embarques e desembarques.

5) Probabilidades no futebol: Blog de 5 professores da UFMG que calculam as probabilidades para diversos campeonatos de futebol do Brasil e do mundo. Em breve eles lançarão uma plataforma similar para a Fórmula 1. 

6) Reclamação Procon: Aplicativo que traz informações com visualização simplificada e bem elaborada, incluindo gráficos e figuras, e exibe apenas os principais dados na página inicial de cada empresa, permitindo especificar as reclamações por sexo ou por atendidas/não-atendidas.

7) Radar parlamentar: Análise matemática sobre os dados de votações de projetos de lei na câmara para determinar as “semelhanças” entre partidos na atuação parlamentar. Essas semelhanças são apresentadas em um gráfico bi-dimensional, em que círculos representam partidos e a distância entre esses círculos representam o quão parecido esses partidos votam. Esse “quadro” com os círculos representando os partidos pode ser tomado para uma dada janela de tempo, então é feita uma animação com a “movimentação” dos partidos ao longo do tempo.

8) Basômetro: O Basômetro é uma ferramenta interativa que permite medir o apoio dos parlamentares ao governo e acompanhar como eles se posicionaram nas votações legislativas. Cada um é representado por uma bolinha com a cor do partido. Quanto mais próxima ela está do governo (no alto), maior é a taxa de governismo.

9) Observatório do Plano Nacional de Educação: O Plano Nacional de Educação (PNE) é uma lei ordinária com vigência de dez anos a partir de 26/06/2014, prevista no artigo 214 da Constituição Federal. Ele estabelece diretrizes, metas e estratégias de concretização no campo da Educação. Municípios e unidades da federação devem ter seus planos de Educação aprovados em consonância com o PNE. Você pode acompanhar tudo por este site além de ver quais metas foram atingidas e quais não.

10) Empresômetro: Site que traz estatísticas interessantes sobre a distribuição dos estabelecimentos empresariais no Brasil.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Comunicado sobre o rapto dos terráqueos

Ciniro Nametala - Escrito na madrugada de 28 de Setembro de 2016 em Medeiros, Minas Gerais.

Olá Marefey!

Arla me entregou hoje suas dúvidas! Como precisamos praticar línguas antigas de planetas recém incluídos na Corporação, resolvi escrever em caracteres alfanuméricos mesmo. Se precisar consultar, procure por alfabeto romano/português/latino... Espero que não se importe.

Seguem todas as respostas de que você precisa. Espero muito que para ler isso você não use o Faceminder. Tente ler como aprendemos com o Prof. Teusak, ler, LER MESMO. Tenho feito isso nos últimos tempos e sinto que de alguma forma acabo absorvendo melhor os conteúdos ou, na pior das hipóteses, acabo me divertindo gastando meu tempo de forma indevida visto que, nesse momento, eu deveria era estar debruçado sobre a minha dissertação kkkkkk enfim...

Espero que goste!


Zany é um planeta vinculado a Corporação Espacial. Não é um planeta tão frio como comentam por aí. Na verdade é um planeta com clima bastante favorável à vida. Tão favorável que foi pra lá que levaram a maioria dos seres humanos raptados de Laryn IV no final do oitavo ciclo.

Para você que não está familiarizado com a geografia galáctica, basta pouca explicação pra entender. O "tal" pra você "Planeta Terra" hoje é chamado de Laryn IV. Ganhou esse nome pois está entre as 18 rochas ultra exploradas também no final do oitavo ciclo pela Laryn Life, obviamente foi a quarta rocha a ser explorada. A Laryn Life possui um segmento muito grande, totalmente focado em exploração de recursos para a vida. É uma empresa que trabalha diretamente e nos interesses da Corporação Espacial. Após a revelação aos terráqueos de que já existe todo um sistema político, financeiro e social consolidado há vários ciclos no nosso evento-tempo (inclusive nesta galáxia que também é deles) foi muito engraçado (como era de se esperar). O negócio causou rebuliço demais. Ficaram ali vivendo seu costumeiro caos interno criando conjecturas diversas e agindo como moléculas instáveis, sem padrão. Acordos, conversas, notícias, opiniões, brigas em espaços ditos públicos e tudo mais. Como eles mesmo dizem numa das expressões deste idioma pelo qual lhe escrevo: "andando em círculos" kkkkkkkkkkkk. 

Terráqueos são realmente criaturas que demoram muito a atingir um estado de maturidade decente sobre qualquer coisa. POR MAIS BANAL E SIMPLES QUE ESSA COISA SEJA! Gosto de citar que, após chegarem em considerável estágio evolutivo, os mesmos passaram ainda por milênios e milênios até descobrirem que combustível, calor e oxigênio geram fogo! Depois disso então, levaram mais séculos para entender que vibrações geram música! E o melhor. Muito recentemente surpreenderam a todos os excêntricos da galáxia que os acompanham quando interligaram de forma muito rústica cabos de fibra e ondas de rádio para transmitir informação kkkkkkkkkkkkk... eu sinceramente acho graça e dou minhas risadas, mas confesso que chego até a acha-los bonitinhos de vez em quando. 

Lembro demais dos dias anteriores ao rapto. Houve uma conversa prévia muito séria entre o Chanceler Laruk e o Major Mynae sobre o que fazer com eles. Muita gente achava que deveriam ser apenas exterminados visto que não tinham nenhuma consciência do seu papel no universo. Um número muito maior deles do que você pode imaginar não consegue simplesmente raciocinar logicamente, sequer se perguntam onde estão, o que fazem ali e o que existe no entorno deles próprios. Como se não fosse o bastante, um ponto que pra eles foi muito desfavorável foi o fato de que eles não agregam absolutamente nada no contexto geral, pelo contrário, destroem. Minha DataBadet está me informando agora aqui inclusive que eles já começavam a lançar sucata além da sua própria atmosfera. No fim, depois de algumas discussões apoiadas pelas sugestões dos sistemas simuladores, prevaleceu como decisão uma ideia oriunda de uma análise de sentimentos feita a partir da base de dados cruzada da Agência Sensun. Essa base é fechada e por isso só tive acesso aos resultados mais sintéticos que são basicamente os seguintes: Todos os terráqueos deveriam ser raptados, reprogramados com técnicas de implante memorial (desses implantes para estruturas biológicas em cérebros baseados em água) e, após isso, serem re-inseridos num ambiente similar ao do Laryn IV. Resolveram escolher Zany pois sua formação lembra muito o "Planeta Terra" de 4 mil anos terráqueos antes do período definido para exploração da Laryn Life. Alguns defenderam também inserir de alguma forma um conhecimento novo em sua estrutura biológica para que sejam mais tolerantes uns com os outros e assim consigam sobreviver em mais estável harmonia. Aquela lei batida demais ensinada há vários eventos-tempo nas academias de transferência.

Voltando ao assunto, no dia do rapto propriamente dito foi mais engraçado ainda. Lá na hora, bases diversas estavam indexando acontecimentos a todo evento-tempo. Apesar da pouca procura de conexões e interesse dos usuários, essas faziam isso mesmo assim, afinal para esse tipo de empresa é tão simples guardar informações que o custo para incluir isso no índice histórico é quase zero. Lá em Laryn IV, no evento-espaço (neste caso no de interesse deles) muita, mas muita gente achou que iria ganhar dinheiro, principalmente os detentores dos primitivíssimos meios de comunicação. Se você não sabe o que é dinheiro pesquise agora aí na sua DataBadet. Em resumo, é algo similar ao nosso Styll de hoje. A diferença é que existem compensações físicas palpáveis além do bit quântico convencional. É como se pra eles fosse importante ver ou saber que o patrimônio (mesmo que virtual) realmente está em algum lugar. Uma ideia estranha pois isso não tem necessariamente haver com o que eles necessitam para se manter biologicamente íntegros (já que são feitos desse tipo de estrutura aquosa). Usavam esse "dinheiro" para comprar coisas das quais não precisavam necessariamente entende? Não vou me alongar sobre essa questão do que eles adquiriam pois, sinceramente, muitos destes "itens" nem eu mesmo sei que utilidade tem.

Voltando ao dia do rapto, como já disse, o rebuliço foi grande mas logicamente durou pouco. Eles não poderiam ficar por ali muito mais tempo de qualquer forma, afinal Laryn IV já não tinha mais expectativa sequer de 8 mil anos mais (na escala do evento-tempo deles). Se eu me lembro bem tentaram avisar os governantes principais de cada território (territórios são tipo espaços onde cada um desses grupos de terráqueos se dividiam para ter poder e controle sobre os próprios recursos - uma grande bobagem também pois no fim das contas todos trocavam entre si o que produziam usando o tal dinheiro, eles chamavam isso de fronteiras, se mataram por elas inclusive em diversos momentos).

Quando Burum (nosso buraco negro de referência para espaço-tempo) emitiu a primeira frequência convertendo massa engolida em radiação, essa foi a hora que o bicho pegou. Foi cogitado acessar a atmosfera por meio de "naves", "discos" e outras coisas que já estavam no imaginário deles. O Chanceler Laruk achou que isso iria, sei lá, produzir menos eventos que gerassem emissão de químicos naturais promotores de comportamentos agressivos e, por consequência, que levassem a algum tipo de ação coletiva não catalogada ou prevista pelos simuladores. No fim, apesar dos bons argumentos optou-se por usar fendas dimensionais. O protocolo foi então seguido com bastante sucesso. Lote a lote todos foram sugados por fendas do tipo Rex em seu modelo simples. Estas foram projetadas para interferir o mínimo possível na estrutura e composição corporal de cada indivíduo. Esse desafio foi complicado, pois todos sabemos que o entrelaçamento quântico ainda não é um fenômeno entendido por completo. No processo alguns se perderam. "Perder" aqui significa a exterminação do indivíduo mesmo. Esses tiveram, na sua linha de espaço-tempo, aquele "momento" de existência findado. A grande maioria, 99,03% foram aproveitados. Menção aqui também ao recém aprimorado método de previsão LarxTend que, mesmo com todas as interferências, deu evidências de que ao ser utilizado com a DataBased pode chegar muito próximo da previsão tolerável em eventos caóticos-uniformes. Fui informado de que antes da coisa ser consumada ele previa taxa de sucesso de 98,912%. Um resultado impressionante.


Zany está agora, nesse minuto, em processo de adaptação com seus novos moradores. Humanos sentem MUITAS, sério mesmo, MUITAS necessidades fisiológicas. Nesse mesmo sentido se reproduzem MUITO rápido. Talvez esse seja o próximo grande problema do comitê da Corporação Espacial que cuida disso: Ficar lá com esse novo zoomanológico. Prover estrutura para que sobrevivam de forma sustentável não é fácil, eles não aprendem como nós. Até a última vez que eu tive notícia iam tentar implementar em algumas cobaias o implante de senso de que o início das resoluções começa pela valorização da harmonia. Eles são as vezes muito carnais e por isso perdem o foco. Trazem isso lá das suas primeiras matrizes irracionais, os símios. Acham que a interação entre dois para reprodução (ou apenas por prazer) (seja lá qual combinação de sexos for) é em muitas vezes mais importante que todo o resto. Esse, um aspecto a mais, mas não único, às vezes se sobrevaloriza em suas personalidades, levam embora aprendizados importantes em suas curtas vivências desenhadas para inevitáveis e breves passagens pelo espaço-tempo. Já fomos assim muito lá trás também, hoje sabemos que exigir dos indivíduos algo que estes não tenham capacidade de prover é sadismo, gera prejuízos muito maiores para a formação social como um todo. Estou acompanhando de perto os estudos lá em Zany. Vou tentar um estágio assim que terminar a Academia de Transferência. Tenho muita curiosidade neste assunto, quero muito obter esse conhecimento, sistematizá-lo e inseri-lo como novo tópico na DataBased. Quem sabe fora do setor HAL12 existam ainda galáxias com planetas bem parecidos aos de Laryn IV. Seria um excelente embasamento para futuros aventureiros dessa temática, hoje pouco explorada.

Se tiver qualquer outra consideração sobre o tema peço que me avise. Já estou terminando de construir meu projeto para mandar a Corporação Espacial. E obviamente, estou aceitando ajuda! :)

Espero seu contato!

Grande Abraço
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Liet-Kynes
Planetólogo (Base Intergaláctica XyX - Implante adendo 2)
Sociólogo de civilizações ermas (Base da Corporação Espacial - Disco implante Dr. Hasimir Fenring)

PS: Posso ter me confundido um pouco quanto as unidades de tempo, espaço e evento. Historicamente são umas pra nós e historicamente são outras pra eles. Já me desculpo por eventuais erros.


Obrigado por ler esse texto!
Grande abraço!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Idosos órfãos de filhos vivos: Os novos desvalidos

Ana Fraiman - Escrito em abril de 2016

Atenção e carinho estão para a alegria da alma, como o ar que respiramos está para a saúde do corpo. Nestas últimas décadas surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões

A ordem era essa: em busca de melhores oportunidades, vinham para as cidades os filhos mais crescidos e não necessariamente os mais fortes, que logo traziam seus irmãos, que logo traziam seus pais e moravam todos sob um mesmo teto, até que a vida e o trabalho duro e honesto lhes propiciassem melhores condições. Este senhor, com olhos sonhadores, rememorava com saudade os tempos em que cavavam buracos nas terras e ali dormiam, cheios de sonho que lhes fortalecia os músculos cansados. Não importava dormir ao relento. Cediam ao cansaço sob a luz das estrelas e das esperanças.

A evasão dos mais jovens em busca de recursos de sobrevivência e de desenvolvimento, sempre ocorreu. Trabalho, estudos, fugas das guerras e perseguições, a seca e a fome brutal, desde que o mundo é mundo pressionou os jovens a abandonarem o lar paterno. Também os jovens fugiram da violência e brutalidade de seus pais ignorantes e de mau gênio. Nada disso, porém, era vivido como abandono: era rompimento nos casos mais drásticos. Era separação vivida como intervalo, breve ou tornado definitivo, caso a vida não lhes concedesse condição futura de reencontro, de reunião.


Separação e responsabilidade

Assim como os pais deixavam e, ainda deixam seus filhos em mãos de outros familiares, ao partirem em busca de melhores condições de vida, de trabalho e estudos, houve filhos que se separaram de seus pais. Em geral, porém, isso não é percebido como abandono emocional. Não há descaso nem esquecimento. Os filhos que partem e partiam, também assumiam responsabilidades pesadas de ampará-los e aos irmãos mais jovens. Gratidão e retorno, em forma de cuidados ainda que à distância. Mesmo quando um filho não está presente na vida de seus pais, sua voz ao telefone, agora enviada pelas modernas tecnologias e, com ela as imagens nas telinhas, carrega a melodia do afeto, da saudade e da genuína preocupação. E os mais velhos nutrem seus corações e curam as feridas de suas almas, por que se sentem amados e podem abençoá-los. Nos tempos de hoje, porém, dentro de um espectro social muito amplo e profundo, os abandonos e as distâncias não ocupam mais do que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas. Nasceu uma geração de ‘pais órfãos de filhos’. Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que cedem seus créditos consignados para filhos contraírem dívidas em seus honrados nomes, que lhes antecipam herança. Mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão – talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo – mas da crença de que seus pais se bastam.

Este estilo de vida, nos dias comuns, que não inclui conversa amena e exclui a ‘presença a troco de nada, só para ficar junto’, dificulta ou, mesmo, impede o compartilhar de valores e interesses por parte dos membros de uma família na atualidade, resulta de uma cultura baseada na afirmação das individualidades e na política familiar focada nos mais jovens, nos que tomam decisões ego-centradas e na alta velocidade: tudo muito veloz, tudo fugaz, tudo incerto e instável. Vida líquida, como diz Zygmunt Bauman, sociólogo polonês. Instalou-se e aprofundou-se nos pais, nem tão velhos assim, o sentimento de abandono. E de desespero. O universo de relacionamento nas sociedades líquidas assegura a insegurança permanente e monta uma armadilha em que redes sociais são suficientes para gerar controle e sentimento de pertença. Não passam, porém de ilusões que mascaram as distâncias interpessoais que se acentuam e que esvaziam de afeto, mesmo aquelas que são primordiais: entre pais e filhos e entre irmãos. O desespero calado dos pais desvalidos, órfãos de quem lhes asseguraria conforto emocional e, quiçá material, não faz parte de uma genuína renúncia da parte destes pais, que ‘não querem incomodar ninguém’, uma falsa racionalidade – e é para isso que se prestam as racionalizações – que abala a saúde, a segurança pessoal, o senso de pertença. É do medo de perder o pouco que seus filhos lhes concedem em termos de atenção e presença afetuosa. O primado da ‘falta de tempo’ torna muito difícil viver um dia a dia em que a pessoa está sujeita ao pânico de não ter com quem contar.

A irritação por precisar mudar alguns hábitos. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões. Desde os poucos minutos dos sinais luminosos para se atravessar uma rua, até as grandes filas nos supermercados, a dificuldade de caminhar por calçadas quebradas e a hesitação ao digitar uma senha de computador, qualquer coisa que tire o adulto de seu tempo de trabalho e do seu lazer, ao acompanhar os pais, é causa de irritação. Inclusive por que o próprio lazer, igualmente, é executado com horário marcado e em espaço determinado. Nas salas de espera veem-se os idosos calados e seus filhos entretidos nos seus jornais, revistas, tablets e celulares. Vive-se uma vida velocíssima, em que quase todo o tempo do simples existir deve ser vertido para tempo útil, entendendo-se tempo útil como aquele que também é investido nas redes sociais. Enquanto isso, para os mais velhos o relógio gira mais lento, à medida que percebem, eles próprios, irem passando pelo tempo. O tempo para estar parado, o tempo da fruição está limitado. Os adultos correm para diminuir suas ansiosas marchas em aulas de meditação. Os mais velhos têm tempo sobrante para escutar os outros, ou para lerem seus livros, a Bíblia, tudo aquilo que possa requerer reflexão. Ou somente uma leve distração. Os idosos leem o de que gostam. Adultos devoram artigos, revistas e informações sobre o seu trabalho, em suas hiper especializações. Têm que estar a par de tudo just in time – o que não significa exatamente saber, posto que existe grande diferença entre saber e tomar conhecimento. Já, os mais velhos querem mais é se livrar do excesso de conhecimento e manter suas mentes mais abertas e em repouso. Ou, então, focadas naquilo que realmente lhes faz bem como pessoa. Restam poucos interesses em comum a compartilhar. Idosos precisam de tempo para fazer nada e, simplesmente recordar. Idosos apreciam prosear. Adultos têm necessidade de dizer e de contar. A prosa poética e contemplativa ausentou-se do seu dia a dia. Ela não é útil, não produz resultados palpáveis.

A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz.

Do prisma dos relacionamentos afetivos e dos compromissos existenciais, todas as gerações têm medo de confessar o quanto o outro faz falta em suas vidas, como se isso fraqueza fosse. Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial, como se ninguém mais precisasse de ninguém. A família nuclear é muito ameaçadora. para o conforto, segurança e bem-estar: um número grande de filhos não mais é bemvindo, pais longevos não são bem tolerados e tudo isso custa muito caro, financeira, material e psicologicamente falando. Sobrevieram a solidão e o medo permanente que impregnam a cultura utilitarista, que transformou as relações humanas em transações comerciais. As pessoas se enxergam como recursos ou clientes. Pais em desespero tentam comprar o amor dos filhos e temem os ataques e abandono de clientes descontentes. Mas, carinho de filho não se compra, assim como ausência de pai e mãe não se compensa com presentes, dinheiro e silêncio sobre as dores profundas as gerações em conflito se infringem. Por vezes a estratégia de condutas desviantes dão certo, para os adolescentes conseguirem trazer seus pais para mais perto, enquanto os mais idosos caem doentes, necessitando – objetivamente – de cuidados especiais. Tudo isso, porém, tem um altíssimo custo. Diálogo? Só existe o verdadeiro diálogo entre aqueles que não comungam das mesmas crenças e valores, que são efetivamente diferentes. Conversar, trocar ideias não é dialogar. Dialogar é abrir-se para o outro. É experiência delicada e profunda de auto revelação. Dialogar requer tempo, ambiente e clima, para que se realizem escutas autênticas e para que sejam afastadas as mútuas projeções. O que sabem, pais e filhos, sobre as noites insones de uns e de outros? O que conversam eles sobre os receios, inseguranças e solidão? E sobre os novos amores? Cada geração se encerra dentro de si própria e age como se tudo estivesse certo e correto, quando isso não é verdade.

A dificuldade de reconhecer limites característicos do envelhecimento dos pais. Este é o modelo que se pode identificar. Muito mais grave seria não ter modelo. A questão é que as dores são tão mascaradas, profundas e bem alimentadas pelas novas tecnologias, inclusive, que todas as gerações estão envolvidas pelo desejo exacerbado de viver fortes emoções e correr riscos desnecessários, quase que diariamente. Drogas e violência toldam a visão de consequências e sequestram as responsabilidades. Na infância e adolescência os pais devem ser responsáveis pelos seus filhos. Depois, os adultos, cada qual deve ser responsável por si próprio. Mais além, os filhos devem ser responsáveis por seus pais de mais idade. E quando não se é mais nem tão jovem e, ainda não tão idoso que se necessite de cuidados permanentes por parte dos filhos? Temos aí a geração de pais desvalidos: pais órfãos de seus filhos vivos. E estes respondem, de maneira geral, ou com negligência ou, com superproteção. Qualquer das formas caracteriza maus cuidados e violência emocional.

Na vida dos mais velhos alguns dos limites físicos e mentais vão se instalando e vão mudando com a idade. Dos pais e dos filhos. Desobrigados que foram de serem solidários aos seus pais, os filhos adultos como que se habituaram a não prestarem atenção às necessidades de seus pais, conforme envelhecem. Mantêm expectativas irrealistas e não têm pálida ideia do que é ter lutado toda uma vida para se auto afirmar, para depois passar a viver com dependências relativas e dar de frente com a grande dor da exclusão social. A começar pela perda dos postos de trabalho e, a continuar, pela enxurrada de preconceitos que se abatem sobre os idosos, nas sociedades profundamente preconceituosas e fóbicas em relação à morte e à velhice. Somente que, em vez de se flexibilizarem, uns e outros, os filhos tentam modificar seus pais, ensinando-lhes como envelhecer. Chega a ser patético. Então, eles impõem suas verdades pós-modernas e os idosos fingem acatar seus conselhos, que não foram pedidos e nem lhes cabem de fato.

De onde vem a prepotência de filhos adultos e netos adolescentes que se arrogam saber como seus pais e avós devem ser, fazer, sentir e pensar ao envelhecer? É risível o esforço das gerações mais jovens, querendo educa-los, quando o envelhecimento é uma obra social e, mais, profundamente coletiva, da qual os adultos de hoje – que justa, porém indevidamente – cultivam os valores da juventude permanente e, da velhice não fazem a mais pálida ideia. Além do que, também não têm a menor noção de como haverão eles próprios de envelhecer, uma vez que está em curso uma profunda mudança nas formas, estilos e no tempo de se viver até envelhecer naturalmente e, morrer a Boa Morte. Penso ser uma verdadeira utopia propor, neste momento crítico, mudanças definidas na interação entre pais e filhos e entre irmãos. Mudanças definidas e, de nenhuma forma definitivas, porém, um tanto mais humanas, sensíveis e confortáveis. O compartilhar é imperativo. O dialogar poderá interpor-se entre os conflitos geracionais, quem sabe atenuando-os e reafirmando a necessidade de resgatar a simplicidade dos afetos garantidos e das presenças necessárias para a segurança de todos.

Quando a solidão e o desamparo, o abandono emocional, forem reconhecidos como altamente nocivos, pela experiência e pelas autoridades médicas, em redes públicas de saúde e de comunicação, quem sabe ouviremos mais pessoas que pensam desta mesma forma, porém se auto impuseram a lei do silêncio. Por vergonha de se declararem abandonados justamente por aqueles a quem mais se dedicaram até então. É necessário aprender a enfrentar o que constitui perigo, alto risco para a saúde moral e emocional para cada faixa etária. Temos previsão de que, chegados ao ano de 2.035, no Brasil haverá mais pessoas com 55 anos ou mais de idade, do que crianças de até dez anos, em toda a população. E, com certeza, no seio das famílias. Estudos de grande envergadura em relação ao envelhecimento populacional afirmam que a população de 80 anos e mais é a que vai quadruplicar de hoje até o ano de 2.050. O diálogo, portanto, intra e intergeracional deve ensaiar seus passos desde agora. O aumento expressivo de idosos acima dos 80 anos nas políticas públicas ainda não está, nem de longe, sendo contemplado pelas autoridades competentes. As medidas a serem tomadas serão muito duras. Ninguém de nós vai ficar de fora. Como não deve permanecer fora da discussão sobre o envelhecimento populacional mundial e as estratégias para enfrentá-lo.

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Esse texto forte foi escrito pela Dra. Ana Fraiman, mestre em Psicologia pela USP e mantenedora do site anafraiman.com.br. Tive contato com ele através de um compartilhamento feito pelo Prof. Washington (IFMG - Campus Formiga) no facebook. O link levava a uma republicação feita na Revista Pazes. Está republicado também aqui no meu blog com ciência e autorização da autora. O artigo na íntegra pode ser acessado clicando-se aqui.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

15 documentários testados e aprovados

Ciniro Nametala - Escrito na tarde de 22 de Agosto de 2016 em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Eu gosto muito de assistir documentários. Também gosto muito de filmes e seriados mas quando vejo um documentário tenho a sensação de que não perdi completamente meu tempo. Apesar de que essa é uma opinião meio besta pois muitos filmes ensinam muitas coisas. Na verdade um documentário como o nome diz é um documento. Um estudo áudio-visual sobre algo que em algum momento alguém julgou valer a pena contar, mostrar as outras pessoas. A perspectiva do diretor sempre influencia no que está sendo mostrado, mesmo assim o documentário tem algo mais. Por exemplo, nem todo filme tem pretensão de fazer mais do que apenas entreter, ao contrário, os documentários sempre passam algo interessante a se saber, afinal no mínimo você estará vendo algo que é real e não fictício.

Nesse fim de semana resolvi perder algumas horas atualizando minha conta no IMDB. Nesse passa tempo classifiquei muitos filmes que já precisavam de avaliação há tempos. Se alguém tiver curiosidade de ver minhas avaliações pode acessar meu perfil aqui. São mais de 400 filmes classificados. Lembrando que eu não classifico tudo sempre. A conta estava criada, mas meio que abandonada há meses. No entanto, tudo que está lá eu realmente assisti e pensei um pouco (ás vezes muito) antes de sair dando uma nota. Eu sempre tento também balancear a quantidade de filmes ruins, médios e bons obedecendo na medida do possível uma curva de uma distribuição normal com as notas dadas. Nesse sentido já informo que, até por isso, tudo que está lá com nota acima de 7 (pelo menos pra mim) vale muito a pena ser assistido. Certamente diversas obras lá listadas você já conhecerá. Até agora, só 10 obras receberam nota 10. Exatamente 2,4% de tudo que já assisti. Não é muito, mas logicamente, poucos filmes são excelentes de verdade pro meu gosto.

Bom, depois de ter feito vários ajustes na conta, atualizado as avaliações, feito avaliações novas e tudo o mais, fui dar uma olhada nas minhas estatísticas de avaliação. Nisso reparei que só nos primeiros 6 meses desse ano eu já tinha visto quase 50 documentários. Foi quando percebi que eu realmente tenho assistido muito esse tipo de conteúdo ao longo dos anos. Como eu nunca tinha feito uma lista no meu perfil resolvi criar uma onde listei meus 30 documentários prediletos. Ela pode ser acessada aqui. A lista que está lá não está ordenada pela avaliação que fiz pois a avaliação que cada documentário tem no site do IMDB está relacionada também com todos os outros filmes e séries que já vi. Não existe uma nota específica para documentários, por esse motivo nesse post vou listar abaixo de forma ordenada os 15 melhores documentários que já assisti até agora. Lembrando que a grande maioria tem na Netflix.

Eu sei que nesta lista estão faltando documentários incríveis como Indie Game: Life After, Chefs Table, O começo da vida, Nazi Secret Files, We are religion, The Universe, The true cost e muitos outros. Alguns simplesmente não quis incluir pois são temas bastante parecidos, selecionei meio que um de cada. Outros eu ainda realmente não assisti e preciso ver. Outros que as pessoas dizem ser ótimos eu não gostei como por exemplo The internet´s own boy, Print the Legend, Rolling Papers, APEX: The history of hypercar, Secret life of Babys, Eu sou Ali e etc. Outros como making ofs de filmes eu também não quis incluir (mesmo gostando muito do documentário que conta a história do Star Wars por exemplo). Quem sabe daqui há alguns anos eu não atualizo essa lista? Bom, chega de papo. Lá vai:


1º - Cosmos: Uma odisseia do Espaço-Tempo (2014): Não é um documentário propriamente dito. É mais como uma série documental. Conta a história do universo, dos maiores cientistas de todos os tempos, seus experimentos, as contribuições/avanços dos últimos séculos e reflete sobre o importante papel da ciência para livrar-nos da ignorância. Certamente é o melhor documentário que já assisti. Muito bem feito, efeitos especiais bem construídos, roteiro, história e, acima de tudo, passa boas lições. Recomendado com certeza.


2º - Serra Pelada: A lenda da montanha de ouro (2013): Documentário brasileiro que relata com depoimentos, fotos e vídeos atuais e da época o frenesi humano pelo ouro de Serra Pelada. A história da montanha que desapareceu do dia para noite e a vida numa comunidade itinerante que se formou em seu entorno. A estruturação social temporária que foi estabelecida com hierarquia pelos garimpeiros num movimento bizarro onde poucos se tornaram ricos de verdade. Mostra também as condições do lugar hoje e a esperança de que o garimpo na região seja liberado novamente. Muitos acreditam que existe abaixo do buraco que ficou uma gigantesca pepita de ouro maciço esperando para ser explorada.


3º - Winter on Fire: Ukraine´s Fight for Freedom (2015): Da praça Maidan até a fuga do então presidente da Ucrânia para a Rússia. A incrível história de como um pequeno protesto de estudantes se tornou uma sangrenta guerra entre população e estado. As reivindicações do povo da Criméia e os mais de seis mil mortos em batalhas entre polícia e povo. Os terríveis fatos que estão acontecendo neste minuto e o desprezo da política internacional.


4º - The Propaganda Game (2015): Documentário fantástico sobre a vida na Coréia do Norte. Como a propaganda estatal faz a cabeça da população que vive em um verdadeiro RPG, um live action "real". Todas as filmagens foram autorizadas pelo governo norte-coreano e feitas por uma equipe de cinegrafistas espanhóis. O fato dos cinegrafistas serem espanhóis não é por acaso. Um espanhol fã do comunismo largou seu país e foi se tornar o primeiro estrangeiro a ser aceito pelo imperador. Logicamente tudo que é mostrado é feito sob 24 horas constantes de vigilância e a verdadeira face do país não é exposta, mesmo assim o diretor do documentário faz considerações o tempo todo sobre o que realmente está acontecendo durante as gravações. Muito interessante.


5º - VIPS: Histórias reais de um mentiroso (2010): Mais um documentário brasileiro muito bem feito. Inclusive deu origem a um filme. Neste é contada a história de Marcelo Nascimento da Rocha, um exímio mentiroso e estelionatário brasileiro. Explica com detalhes os seus principais golpes, o maior deles envolveu voar de graça em um avião exclusivo fingido ser um dos donos da GOL junto com o apresentador Amaury Jr. da Rede TV depois de ter passado dias nas melhores festas e lugares VIPS do carnaval de Salvador.


6º - Tim´s Vermeer (2013): Documentário que fui ver por apenas ver. Não esperava nada dele. No fim é um dos melhores que já vi até hoje. Tim Vermeer foi um pintor que pintava quadros tão reais, mas tão reais que é quase impossível dintinguí-los de uma foto de verdade. O único problema é que ele não nasceu em tempos onde câmeras fotográficas existiam. Esse documentário desvenda um mistério lendário: Qual técnica ele usava. O pintor estudioso do assunto que faz os questionamentos no documentário inclusive reproduz uma pintura de Vermeer e mostra os incríveis resultados obtidos.


7º - Maidentrip (2013): História de Laura Decker, uma menina holandesa de 14 anos que se torna a mais jovem mulher a dar a volta ao mundo num barco a vela absolutamente sozinha. O filme mostra seus dois anos de aventuras, os países pelos quais ela passa, o tempo presa no mar, os apertos infindáveis e muito mais. As filmagens são na grande maioria feitas por ela mesma em alta mar e sozinha.


8º - Particle Fever (2013): A tentativa de detectar o Bóson de Higgs ou a também chamada partícula de Deus foi o último grande experimento realizado pela ciência moderna. Muitos categorizaram esse momento como a possível maior descoberta de todos os tempos da física. Esse documentário conta a história de diversos times de cientistas que se uniram para tentar por meio da construção de uma máquina gigante, o grande colisor de hádrons, provar se ela existe ou não.


9º - We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks (2013): Mentiras, verdades e revelações chocantes. A história do Wikileaks e como o seu criador Julian Assange teve acesso a tantos documentos secretos vazados diretamente do coração do departamento de defesa norte-americano. A personalidade do ex-militar que vazou informações gerando impactos na política e economia mundial.


10º - An Honest Liar (2014): James Rand é um ilusionista que dedicou sua vida muito mais do que aos palcos. Ele passou anos desmascarando pastores, magos, vendedores, cirurgiões espirituais, pseudo-cientistas e toda sorte de charlatões. Esse documentário conta a história de sua carreira e sua conturbada vida pessoal por trás dos holofotes.


11º - Blackfish: Fúria Animal (2013): Esse documentário conta a história da baleia Tilikum que vivia em cativeiro no SeaWold nos EUA. Conta como era o seu tratamento, sua relação com os outros animais e tratadores. Questiona as prováveis razões que a levaram a matar sua treinadora durante um show ao vivo. O documentário mostra também a relação nada saudável entre humanos e baleias. Questiona a captura e a matança desses animais além de discorrer sobre o sofrimento que esses vivenciam visto que possuem alto grau de inteligencia e são capazes de estabelecer fortes laços sociais entre si.


12º - Amy (2015): Mais do que apenas contar a história bizarra de vida da cantora Amy Winehouse este documentário pode nós fazer questionar a natureza humana. Desde o seu anonimato até o sucesso estrondoso o filme começa contando como a fama começou, fala da sua relação com as drogas e o álcool, depois apresenta a lenta decadência de sua saúde,  a relação controversa e doentia com seu namorado e seu pai e, por fim, as polêmicas apresentações incompletas que anunciaram a chegada da sua morte no auge da fama.


13º - The Mask You Live in (2013): Esse documentário reflete profundamente sobre o papel do homem na sociedade americana. Como os esteriótipos altamente machistas e masculinizados disseminados como padrão nas últimas décadas tem sufocado jovens e gerado pessoas doentes. O filme apresenta uma reflexão sobre a premissa do "Boys dont cry" e como isso afeta a sociedade. O foco é na sociedade americana mas serve muito para culturas machistas como as do Brasil.


14º - (Dis)Honesty: The truth about lies (2015): Esse documentário discute as razões pelas quais mentimos. Apresenta uma série de experimentos realizados com diversas pessoas em busca de respostas sobre a nossa suposta compulsão por mentir. São usados testes de escore feitos em escolas, universidades, departamentos de trânsito e muito mais. A visão mostrada é bastante criteriosa e feita por estudiosos da área que chegam a conclusões ás vezes óbvias e ás vezes surpreendentes.


15º - What happened, Miss Simone? (2015): Miss Simone foi uma das principais cabos do movimento anti-racismo nos EUA e no mundo. Sua vida foi repleta de altos e baixos. Morou em vários lugares inclusive na África, cantava Jazz, R&B, Funk e Soul. Era muito talentosa. Viveu o início da vida sob os padrões lhe sujeitados pela sociedade preconceituosa mas depois se rebelou. Fez campanhas usando violência o que lhe tirou parte do seu respeito tão dificilmente conseguido. Tinha um marido violento mas no fim da vida se tornou mais violenta que ele. Muitos questionam se ela tinha saúde mental. Terminou sua vida praticamente esquecida a não ser pelas suas músicas e pela semente de tolerância que plantou. Esse documentário conta muito bem um pouco dessa jornada.

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Outros documentários também poderiam figurar nessa lista. Estar a fim de ver algum filme tem haver também com o momento. Eu quis ordenar os 15 melhores até pra facilitar caso alguém queira assistir a algum, mas mesmo assim, abaixo listo mais 15 sugestões só pra garantir que pelo menos um dessa minha lista lhe agrade!

16º - Aftermath: Population Zero (2008): Se os seres humanos desaparecem de uma hora para outra o que ocorreria com a terra, os animais, as cidades e todo o mundo como hoje o conhecemos? Esse documentário mostra os prováveis acontecimentos 5, 10, 20, 50, 100, 500... anos depois desse hipotético evento. Eu particularmente não gosto muito dos documentários da National Geographic pois são muito sensacionalistas mas esse em especial está bem acabado. É interessante pensar também nas situações que eles propõe no filme. É o documentário "divertido" dessa minha lista. 

17º - Living with Michael Jackson (2003): Documentário produzido por uma televisão britânica. O entrevistador passou semanas convivendo com Michael Jackson. Ele aparentemente faz de tudo para polemizar e julgar o rei do pop. O documentário é bom mas deve ser visto com critério e cetismo.

18º - Hot Girls Wanted (2015): Como surgiu e como funciona a indústria pornográfica americana. Esse documentário mostra relatos de garotas, suas famílias e seus empresários sobre esse mundo onde a grana é alta mas o tempo em atividade máximo é de pouco mais de 3 anos.

19º- Team Foxcatcher (2016): Um homem rico e excêntrico, sem qualidades o suficiente para praticar esportes e com uma mãe superprotetora resolve investir toda sua fortuna em um time de luta. Ele contrata um dos melhores lutadores e se torna seu principal apoiador, se diz seu treinador. Entretanto sua personalidade abusiva corrompe o atleta o transformando num dependente de drogas. O documentário analisa a história que culminou num assassinato a queima roupa.

20º - The Short Game (2013): Crianças que jogam golfe como adultos. O documentário acompanha 6 famílias e seus filhos em campeonatos de golfe onde existe muita competição. Como isso afeta a cabeça dos jogadores.

21º - Mission Blue (2014):  O esforço da maior mergulhadora do mundo para fazer com que o mar e seus habitantes aquáticos mantenham-se vivos. Esse documentário conta a história de vida dessa mergulhadora.

22º - Uma verdade inconveniente (2006): Os efeitos catastróficos causados pelo aquecimento global já se fazem sentir. Esse documentário também mostra uma projeção de como serão as condições climáticas no futuro caso nada seja feito.

23º - Virunga (2014): Os gorilas do Congo estão fadados ao desaparecimento? Esse documentário mostra qual a situação dos poucos animais dessa espécie que hoje existem vivendo de forma selvagem. Fala também do esforço de alguns moradores locais para mantê-los em segurança.

24º - All Work All Play (2015): E-sports estão dominando as massas de jovens ávidos por competições que tratem do que eles gostam mais: Games. Esse documentário conta a história do Cloud9, um time profissional de League of Legends. A vida numa Gamming House e os desafios para tentar vencer o Intel Extreme Masters.

25º - Valley Uprising (2014): História completa e emocionante de como surgiram os maiores escaladores americanos. Uma visão completa do parque nacional de Yosemite. Como baderneiros inimigos da polícia local se tornaram ao longo dos anos super atletas.

26º - Going Clear Scientology and The Prision of Belief (2015): Conta a história completa da Cientologia. Uma religião que foi criada há alguns anos e está sempre envolva em polêmicas. Polêmicas financeiras é claro.

27º - Transpatagônia (2014): Documentário de um brasileiro que cruzou toda a Patagônia de bicicleta. Um filme leve que mostra lugares bonitos e desertos.

28º - Foo Fighters: Back and Forth (2011): Conta a história inteira da banda Foo Fighters. Desde os primórdios com o fim do Nirvana até o ápice da banda num mega show para oitenta mil pessoas.

29º - Fathead (2009): Documentário que condena o consumo de carboidratos e incentiva o consumo de gorduras fazendo duras críticas ao documentário Super Size Me (2004) que condena o consumo de gordura e que faz duras críticas ao McDonalds. O autor passa 30 dias consumindo somente McDonalds e aparentemente não lhe acontece nada, ele inclusive perde peso.

30º - Dans for mig (2012): Documentário sobre dois jovens de países diferentes que buscam o mesmo sonho: Tornarem-se dançarinos profissionais. O filme mostra a saga deles em busca desse objetivo.

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Bom se você assistir algum e quiser compartilhar sua opinião basta usar a área de comentários!


Obrigado por ler esse texto!
Grande abraço!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Jogos inesquecíveis: Atari 2600

Ciniro Nametala - Escrito na tarde de 5 de Agosto de 2016 em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Na primeira vez que eu vi um vídeo game na vida acho que tinha entre 7 e 9 anos de idade. Meu tio João Gordo (que agora é magro) morava numa casa amarela e nessa casa ele tinha ligado à sua TV um Atari 2600. Na época aquilo era pra mim um milagre, uma bruxaria, eu não tinha ideia de como funcionava. Como era possível você controlar o que estava dentro de uma televisão!?  Eu via aquilo e ficava fascinado. O console era todo preto e em algumas partes era feito de madeira, o que era lindo é hoje simplesmente impensável. O joystick era um manche com apenas um botão vermelho. Nessa época diziam os velhos que não podia-se jogar muito, afinal fazer isso "estragava a televisão".



O Atari foi lançado em sua primeira versão em 1977. O desenvolvedor do projeto foi Jay Miner, um famoso desenvolvedor de circuitos integrados da época que, inclusive, projetou também partes multimídia do computador Amiga. A faísca que gerou o vídeo game foi a integração de um chip de som e imagem chamado TIA (television interface adaptor) desenvolvido por Jay, com a evolução do chip MT 6532, produzido pela MOS Technology (Commodore), empresa da Pensilvânia (EUA). Existem versões também, por isso, chamadas de Commodore. O Atari vigorou supremo no mercado durante quase 20 anos e só foi perder sua popularidade no final da década de 80/início da de 90 quando novos vídeo games mais potentes começaram a ser lançados e fazer sucesso [1].

Atari 2600 (Atari Inc. 1977-1983)
Jogos desenvolvidos para Atari eram feitos sob restrições ligadas ao hardware que hoje podemos considerar absurdas. Programador naquela época tinha que ser bom de verdade. Os desenvolvedores tinham que lidar com limite máximo de armazenamento de 4k apenas. A ROM interna do Atari era de 16k e, somente por meio de uma técnica desenvolvida na época chamada de Bankswitch, foi possível depois desenvolver-se jogos maiores. Esses transferiam dados do cartucho para a memória interna permitindo assim usar até 16k. O famoso Asteroids foi o primeiro jogo a fazer isso. Com a RAM a solução era embutir no próprio cartucho uma expansão, o que garantia um aumento de 100% da capacidade [1] [2]. Essas ideias foram amplamente usadas em vídeo games posteriores como no caso de Mario Kart, Star Fox e Donkey Kong Country do Super Nintendo que praticamente possuem um computador próprio dentro do cartucho. Hoje sofremos e reclamamos muito quando precisamos de desempenho e espaço em computadores, garanto-lhes, já foi bem pior!

Voltando a casa do meu tio, lá não existiam muitos cartuchos. Para época o preço desses aparelhos era considerado alto. Só o Atari, num valor corrigido, custaria hoje mais que R$ 2000,00 [3]. Os jogos que eu mais gostava de jogar lá eram o de "Navinha", o do "Tarzan" e o da "Chapeuzinho Vermelho". Nomes "criativos" que eu dava pra games que na época já eram ícones da plataforma. A seguir falo um pouco sobre estes meus preferidos.

RIVER RAID (1982):

River Raid (Activision - 1982)

O River Raid é um jogo de avião. Você precisa passar pelos obstáculos sem ser atingido, deve atirar em inimigos e, quando necessário (no caso sempre), deve reabastecer seu tanque de combustível. O jogo tem velocidade e dinamismo, cores fantásticas e é muito bom! Foi inspiração para inúmeras franquias que vieram mais tarde em plataformas como NES, Mega Drive e SNES. Uma curiosidade muito bacana sobre esse jogo é que ele, antes de tudo, foi um milagre da programação para a época. Desenvolvido por uma mulher, Carol Shaw, ele possui 256 fases que, todas juntas, ocupam por completo o escasso limite de armazenamento no Atari, QUATRO fucking Kilobytes de memória! Isso foi possível pois cada uma destas é gerada em tempo real (enquanto você joga) por meio de um algoritmo inteligente. Isso num Atari 2600 com 8 bits operando a 1,19 Mhz e míseros 128  bytes de RAM é incrível [4] [5].

PITFALL (1982):

Pitfall (Activision - 1982)

O Pitfall é um dos mais, senão o mais conhecido jogo de Atari 2600. Só de olhar para imagem dá pra ver o motivo pelo qual eu chamava esse game de "O Jogo do Tarzan". Foram criadas outras versões para outras plataformas depois. A de SNES/PC (Mayan Adventure) me parece que fez certo sucesso, entretanto, de longe essa daí é a mais conhecida. Na capa do jogo você pode ver um cara se balançando num cipó e deixando um rastro de arco-iris em cores térreas (O que isso quer dizer?). Abaixo dele três jacarés querendo devorá-lo e, por meio de uma escada, o acesso a uma caverna repleta de caixas, troncos rolando, morcegos e escorpiões.

Pra quem acha que Pitfall é um jogo infinito, na verdade, ele tem um objetivo. Você precisa coletar 32 tesouros em 20 minutos. Pra quem acha que Pitfall é o nome do personagem, na verdade, você está certo. Ele se chama Pitfall Harry. David Crane, o criador do jogo, disse em uma entrevista que levou 10 minutos para bolar tudo e mil horas para programar. Na época a Activision pedia para que quem terminasse o jogo com novo recorde fizesse o favor de tirar uma foto e enviar para ela. A empresa mantinha um ranking publicado periodicamente. Por coincidência, um brasileiro é o recordista mundial de Pitfall. Rodrigo Lopes está no Guiness Book de 2007 por ter, em 2006, feito 114 mil pontos sem perder vidas e faltando quase dois minutos ainda para o fim da partida [6] [7].

BOBBY IS GOING HOME (1983):

Bobby is Going Home (Bit Corporation - 1983)

Não lembro quando mas lembro da minha reação. Muitos anos depois de jogar esse jogo no Atari, certa vez, fui pesquisar (provavelmente caçando ROM pro Stella Emulator) sobre o tal "Jogo da Chapeuzinho Vermelho". Qual não foi minha surpresa ao descobrir que o personagem nada tinha haver com a criança quase engolida pelo lobo. Ele era um cara! E se chamava Bobby! Bobby estava perdido e voltando para casa. Essa era a história real do jogo. Não me culpo por confundi-lo, afinal os pixels eram poucos e alguém lhe colocou um chapéu igual ao do Ventania. Nessas condições ser chamado de Chapeuzinho Vermelho pode ser considerado até lucro.

Esse game era difícil. Passar das fases iniciais já era uma tarefa complicada. No total eram sete e, caso você conseguisse chegar ao final, deveria entrar na casa do Bobby (pra mim a casa da vovô). Dizem que hoje em dia esse é um dos cartuchos mais raros, muito difícil de se encontrar e valorizado por colecionadores. Não encontrei nenhuma informação técnica sobre o desenvolvimento do game na internet, além do óbvio fato de ter sido desenvolvido pela Bit Corporation [8].

O tempo passou e hoje os jogos estão cada vez mais reais. A introdução de tecnologias como os óculos de realidade aumentada estão chegando pra mudar paradigmas mais uma vez, mas foi nessa época aí que tudo começou. Eu gosto muito de inúmeros outros jogos de vídeo games, pretendo escrever novos posts no futuro sendo um para cada console. Vou fazer isso conforme a vontade for aparecendo. Uma das coisas boas para relembrar essa época são os diversos emuladores que existem por aí, inclusive online. Nesse sentido, caso você queira conhecer ou relembrar, segue abaixo links para jogar agora esses três jogos inesquecíveis do Atari 2600. F1 para iniciar, espaço pra pular e setas para se movimentar. Divirta-se!

Jogar o Jogo da Navinha (River Raid)
Jogar o Jogo do Tarzan (Pitfall)
Jogar o Jogo da Chapeuzinho Vermelho (Bobby is Going Home)


Obrigado por ler esse texto!
Grande abraço!

[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Atari_2600
[2] https://thewanderingnerd.wordpress.com/2014/01/05/top-10-games-that-pushed-the-atari-2600-to-its-limits-part-1/
[3] http://link.estadao.com.br/blogs/modo-arcade/quanto-custavam-os-videogames-na-epoca-em-que-foram-lancados/
[4] http://www.riverraid.org/riverraid_history/index.php
[5] http://www.antonioborba.com/atari/os-10-melhores-jogos-de-atari-top-ten/
[6] https://pt.wikipedia.org/wiki/Pitfall!
[7] http://www.mobygames.com/game/pitfall
[8] https://archive.org/details/atari_2600_bobby_is_going_home_2600_screen_search_console_jone_yuan_telephonic_en

sábado, 2 de julho de 2016

Nossa maldição

Ciniro Nametala - Escrito na tarde de 2 de Julho de 2016 em Belo Horizonte, Minas Gerais.

A vida muitas vezes me parece um processo estranho. Às vezes me sinto como um rato de laboratório sendo usado num experimento científico. Temos que comer todos os dias, temos que dormir todos os dias, temos que nos preocupar com doenças, intrigas e uma série de padrões a serem seguidos. Vivemos num inferno social e ter tempo/condições para refletir sobre detalhes de tudo isso em um blog, para muitos é até um privilégio pelo qual eu deveria estar imensamente agradecido. Mas não estou. E se estivesse, certamente estaria nesse momento me preocupando com outra coisa. Essa é a nossa maldição. Estamos sempre preocupados ou caçando coisas com as quais nos preocupar.


Hoje fui almoçar e fiquei observando as pessoas comerem enquanto eu mesmo comia. Para um muito improvável ser supremo perfeito, deve ser uma piada observar-nos tendo que viver (todos nós) com tantas necessidades absolutamente primitivas. Deglutir, defecar, repousar, socializar, higienizar, proteger, manter as funções vitais.. somos seres frágeis e o mundo não contribui em nada com isso. Mesmo quando temos todas nossas necessidades básicas atendidas, buscamos outras incessantemente a satisfazer. O processo tem mais haver com "estar resolvendo" a "resolver". Penso que essa necessidade de "resolver" está ligada fortemente ao fato de sermos seres pequenos e burros. Vivemos apenas para investir enorme esforço na construção de conceitos que, mais cedo ou mais tarde, acabamos por questionar e desconstruir.

É engraçado mas com o tempo você quase que vê o diagrama do processo. A vida é uma coleção de mentiras que sabemos ser mentiras mais um monte de verdades questionáveis. Fatos, leis, dogmas, fenômenos, livros, ideias, acontecimentos.. nada é absoluto e inabalável. Tudo é questionável. Quando criança você constrói seu mundo para desconstruí-lo em seguida. Quando adolescente você reconstrói seu mundo para desconstruir novamente em seguida. Quando adulto você, dia a dia, refaz seu modo de pensar sobre tudo que um dia sequer já ousou em dado momento pensar em questionar. Se eu vivesse 100 anos além dos meus atuais 100 pretendidos, certamente desacreditaria de tudo que aprendi nessa vida que estou vivendo agora. Essa é a nossa maldição. Não sabemos nada e a nós é permitido perceber isso. Como defesa desenvolvemos, cada um a seu modo, um arcabouço completo que sustenta aquilo que achamos ser necessário para continuar vivendo. Uma caixa de ferramentas repleta de recursos para cada momento de questionamento, para cada momento onde achamos que nossa base de conceitos e tradições está ficando insustentável. A armadura que cada pessoa escolhe vestir para dar conta do ambiente hostil que é o mundo também gera responsabilidades e consequências. Nem todos acham bonito a forma como cada um resolve levar a vida e resolver os próprios problemas. Mas todos estamos aqui para viver, viver juntos. E nada vai mudar isso. O mundo não é uma casa feita de doces. Somos filhos de lenhadores e a bruxa está sempre a espreita. Cada ser que carrega consigo a mínima luz de vida vive para buscar, consumir e gastar energia até o dia da sua morte. Vivemos para viver e, por isso, depois de saber que cada verdade é questionável, ainda assim achamos muitas vezes que nossas verdades são mais verdadeiras do que outras. Isso é absolutamente insignificante e humilhante. Especialmente se você se permite ver que também faz isso o tempo todo.

É um beco sem saída. Estamos programados e antes que a tendência mude, repetiremos insistentemente nossos vícios e comportamentos ruins por muito tempo. Para nossa agonia nesse planetinha isolado nos subúrbios do espaço sideral e, também, para a diversão de ninguém que nos observa, evoluímos não mais rápido do que se move uma montanha. Até que o flash da nossa existência passe e voltemos a escuridão de costume, estaremos aí, continuando a fazer o que fazemos de melhor: Não nos dando por satisfeitos nunca e catalisando sempre esse processo com o melhor dos ingredientes, o questionamento.

Se você não está enjaulado faça então o que foi programado para fazer: Questione! Viva direito a sua maldição!


Obrigado por ler esse texto!
Grande abraço!

quinta-feira, 16 de junho de 2016

10 dicas para melhorar o desempenho do R

Ciniro Nametala - Escrito na noite de 26 de Junho de 2016 em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Pra quem gosta e usa: R é lento mesmo. Quem trabalha com ele sabe. Depois de alguns meses testando inúmeras coisas para melhorar o desempenho seguem algumas dicas que você não vai encontrar em fóruns na internet.

1 - Use linux, de preferência uma distro leve. Recomendo a versão mais recente do Lubuntu (16.4).

2 - Não use o core do R padrão do CRAN. Cálculos primitivos não usam todos os cores do seu processador. Use o Microsoft R Open (MRO) na versão mais recente (3.2.5) (antigo Revolution R).

3 - Depois disso atualize o apt-get e instale o build-essencials e depois o liblapack-dev. Ele vai habilitar compilações que no Lubuntu não vem incluídas na distro.


4 - Instale o MKL 3.2.5 para turbinar o MRO.


5 - Instale a versão mais recente do RStudio e configure o mesmo para usar o MRO. (ele pode conviver com outras versões do R, use alternatives para configurar).


6 - Use muito a biblioteca compiler. Mas não compile usando o enableJIT(3). Compile função por função usando cpmfun().


7 - Quando possível paralelize o código com a biblioteca parallel.


8 - Programe direito: Declare tamanho de estruturas de dados antes de ir para um laço, prefira mclapply(), remova variáveis que não vai mais utilizar com rm() e etc.


9 - Escolha bibliotecas. Existem muitas que fazem a mesma coisa mas o desempenho pode ser radicalmente diferente. Por exemplo, fazer previsão com forecast() ao invés de com predict() pode ser até 50% mais rápido.


10 - Com essas dicas espere pelo menos uns 70% de melhoria de desempenho (confira com system.time()), mas ainda assim, não espere que o R seja tão veloz quanto um C++. E se no seu caso precisar ser... então você está usando a linguagem errada.


Até!