quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Amigos e família, renove-os em 2012.

Tarde entediante, tomei um banho rápido procurando uma forma de fazer a barba antes que todo o processo ultrapassasse mais que cinco minutos. Foi legal, eu havia comprado um creme mentolado bozano que gelava o rosto. Sensação de alívio rara em meio a um mar de sensações aflitas que vinham passando.

Ceia na casa da minha madrinha. O senhor lord sentado à cabeceira da mesa era servido por todos. Não apenas servido de comidas, mas de também elogiosas palavras e sorrisos falsos que como facas atravessavam antes o meu corpo, até chegar ao destino, àqueles olhos gananciosos e orgulhosos pelo poder alcançado dentro de um tribal grupo familiar. Tarefa não difícil mas que exige maestria medíocre.

Uma festa entendiante dita de "família", núcleo interrompido há decádas, núcleo frágil que sofre mais do que celebra. E assim, nestes momentos hipócritas se sente na necessidade de comungar uma felicidade não existente. Uma felicidade colhida nos campos da discórdia e do desgosto. Nada que sorrisos singelos não escondam ou que uma salada de giló bem preparada não possa disfarçar. Será que não se questionam "Quem é minha verdadeira família?" "Quem realmente importa pra mim?"



Pra ser bem franco, todos nós passaríamos meses e anos longe de alguns familiares sem sequer sentir o mínimo de falta, e num contra passo medonho, não conseguiríamos passar algumas horas longe de amigos não familiares que por natureza, ou por genética pura, nos completam em afazeres, escolhas e gostos comuns.

"Que tal jogar uma sinuca?"

Voltamos pra ceia e chega o peru assado, o esperado peru assado, momento emblemático! "Quem comprou o peru?" "Quem preparou o peru?" "Quem vai servir o peru?".. questões que vez a vez nos trazem a tona conclusões óbvias e não perceptíveis de que as tarefas relacionadas ao peru são as tarefas politicamente determinadas em um seio familiar. É patético, ou melhor é "peruzético". Um peru que por pouco não entra pelo orifício errado. Toma o caminho mais nobre, o caminho da boca mundana. De onde saem palavras capciosas. Pessoas distribuídas numa situação gaussiana discutindo uma questão manipulativa: "Quem pagou o chester?" X "Quem prepara o Chester?" Papéis e responsabilidades dados conscientemente conforme a melhor teoria política existente na literatura de Hobbes.

Não que isso me faça falta, mas o que me indigna é observar pessoas agarradas a conceitos tão preconceituosos e tão perdidos e assim, os elevar ao patamar sagrado da ética. Ética! Ética. Foda-se a ética! Deveríamos todos buscar a felicidade.

O peru foi servidor e a ceia está terminada. E agora? Vamos todos pra praça! Está perto nesse momento o verdadeiro conceito de felicidade, de diversão? Diversão é o mesmo que felicidade? Felicidade é o mesmo que diversão?

Sem amigos não há diversão, já dizia nosso saudoso Alessander Supertramp "A felicidade só é real quando compartilhamos", já dizia Immanuel Kant, "não existe lugar confortável no mundo que das condições a seguir possa se eximir: Bons amigos a disposição ou o conforto de uma solidão regrada a um bom uísque".

Pessoas muitas vezes lhe corroem, lhe trazem desgosto. Você pode demonstrar a qualquer pessoa o quanto sua importância é decisiva para sua existência e para o seu bem estar no mundo, e mesmo assim há dias que tudo que você deseja é nunca ter dado a esta a honra ou o prazer de sua própria companhia. Cada momento, cada trabalho, cada risada, cada ínfima virada de copo ao "Lord Nelson" do nada passa a ser poeira no vento, e a sensação de solidão que insiste em acompanhar-te durante a vida, essa vem e vai.

A verdadeira importância do natal não está na comunhão incentivada das pessoas, mas sim, em quem vai terminar a noite de natal com você falando sobre coisas do passado, sem se importar com aquele defeito, com aquela crítica, ou com a consciência pesada sobre um fato ou outro que exigirão um pedido de perdão. Uma necessidade de ser o que era, mas nunca é mais. O perdão vem da boca pra fora, as atitudes são sempre as mesmas. Então me pergunto: Por que perdoar? Por que perdoamos? Pra sofrer outra vez? Pra punir? Eu não sei a resposta...

As relações deveriam transceder tudo isso.


E quando você aparentemente começa a se sentir cansado, triste das cobranças, tristes do lugares a mesa que não podem ser exatamente ao seu lado, da vergonha de ser natural ao dizer um "eu gosto de você", um "estou com saudade suas", ou um incisivo "não faça mais isso que eu não gosto"... quando tudo isso para... é um indício de que o cansaço está chegando. E nessa hora... o coração aperta, a mente tenta raciocinar de forma lógica. Mas o objetivo que surge na sua cabeça, infelizmente e contra sua vontade sempre é e será:

"Afaste-se. Tenha amor por si próprio. Tem pessoas que realmente não valem a pena. Não importa o que você faça"

Aprenda: Existem relações que lhe dão muitas coisas boas, e você retribui também com muitas coisas boas. Contudo e para tudo, existe uma balança. Numa relação tente colocar numa balança o que tem lhe rendido manter determinado nível de relação entre você e uma pessoa. Se a balança pender pro seu lado, saia e seja humilde: A outra pessoa precisa de ajuda. Se fica equilibrado, amizade perfeita.

Agora caso a balança fique mais pesada pro lado da outra pessoa, espere.. espere um tempo. Caso a pessoa venha te procurar para equalizar os pesos, tudo bem, continue nessa, você tem alguém fiel. Agora caso ela não venha e, sistematicamente, de tempos em tempos, é você quem corre atrás... pense seriamente em desistir. E pense em desistir desta relação nunca se esquecendo:

Existe vida após o sofrimento! Não esmoreça!

Amizades verdadeiras correm atrás e sabem quando uma das partes precisa de atenção. Um amigo  verdadeiro sabe quando o outro têm necessidade de suporte. Você não precisa dizer "Preciso de você". Se seu amigo for realmente um amigo, esperer um pouco, ele logo virá dizer: "O que você precisa?"

Frank Helbert talvez tenha escrito um dos melhores pensamentos sobre essa situação transcrevendo-o  a fala de um dos seus personagens mais famosos: Mualdib. O mesmo diz em seu bestseller Duna:
"Vou deixar que o medo venha, chege perto de mim, atravesse sobre mim, invada meu corpo. Ele vai durar um tempo, mas depois ele vai embora, deixa um rastro a partir de meu corpo. Quando estiver tomando distância eu vou poder olhar pra trás e vê-lo indo embora, contudo, no fim de tudo, somente EU, SOMENTE EU, Só EU remanescerei. Logo, porque ter medo?"

Pensem nisso, quanto vale essa namorada ou namorado que diz te amar? Quanto vale esse amigo que diz gostar muito de você? Ou quanto vale esse pai ou mãe que diz que você é necessário na família?

DESPRENDAM-SE DAS AGARRAS SOCIAIS! LIBERTEM-SE DAS FALSIDADES!

A vida é curta demais para sofrer tanto por quem pouco dá valor em você! Bola pra frente e fé em si mesmo! Compartilhe com quem quer compartilhar, cuide-se e assim, seja feliz dia a dia.

Feliz natal as famílias de todas as espécies e um excelente ano de 2012 a vocês que merecem!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O natal mais antigo qual tenho lembrança

Parece que foi ontem.

Eu sentado no sofá numa varanda de pedra ardósia, frio, as luzes apagadas, a torneira aberta pingando musicalmente, barriga cheia pois havia acabado de chegar de "uma janta" na casa da minha madrinha Regina. Hoje eu sei que meu pai estava atrasado pra colocar os presentes sobre a cama, mas naquela noite, minha mãe avisava que a gente não podia ainda entrar, o papai noel estava passando.

A porta de madeira com tramela abre e eu subo correndo uma escada de cimento batido vermelho com 4 degraus, escada perigosa, milhares de pessoas caíram dela pra minha diabólica satisfação traquina de criança. O quarto retangular estreito com duas camas a minha frente, a luz está acesa agora. O lençol amarelo perfeitamente limpo e ali, abaixo da cabeceira, ao lado do travesseiro e acima de qualquer suspeita minha, postado misteriosamente por um furtivo presenteador, um fantástico ferrorama estrela.


Ferrorama Estrela, meu primeiro presente que tenho lembrança no natal!

O sorriso no rosto aparece, as mãos se esticam para apalpar uma caixa de papelão magnífica. A mesma é aberta e vem ao rosto um cheiro enebriante de isopor. Cada peça em seu lugar, cada trilho em seu lugar, cada vagão em seu lugar, meus pensamentos em outro lugar, eu era agora um maquinista.

Estrutura montada, pilhas colocadas e o botão no ON. A mágica começa. Horas a fio observando o ir e vir de uma majestosa maria fumaça equipada com 4 vagões, uma maria fumaça controlada que sobe por uma pequena rampa, mas que no fim, anda em círculos, sai de um lugar e volta para o mesmo. Uma maria fumaça que imita os dias de hoje, dias não de criança, dias de ilusão adulta com outros brinquedos menos majestosos. Contudo, maria fumaça que também me faz sentir um maquinista do destino, um maquinista sem olhar externo fiador de uma situação qual me faz pensar se também estou andando em círculos, se tenho o controle da direção ou qual a importância de cada fardo que levo em cada vagão.

Para aquele menino a noite terminou antes das nove horas pois com o final da novela a cama era o destino certo, preparação para um novo dia. Hoje, as noites não tem hora para terminar, a novela da vida não termina em horário programado e a cama que me preparava para um novo dia, essa não tem mais lugar fixo.

A cada ano um planejamento, a cada mês uma realidade a enfrentar. O papai noel ainda existe, mas não vem mais me dar presentes. É preciso correr atrás dele o tempo todo, enfrentando todos os obstáculos possíveis e aí, em um dado momento, um presente é conseguido.

O natal em Medeiros veio, foi e voltou mudado.

Feliz natal a você que luta pelo seu espaço, pelo seu destino e é o maquinista da sua própria maria fumaça.

sábado, 22 de outubro de 2011

Já se sentiu assim?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Prouni, FIES e outras doenças crônicas da nossa educação

O artigo abaixo foi extraído da Folha de São Paulo e sua autoria é de Otaviano Helene e Lighia Horodynskimatsushigue ambos professores da Universidade Federal de São Paulo.

O ensino técnico, longe dos erros do passado

Está em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei (o PL 1.209/ 2011) criando o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que pretende organizar e ampliara oferta de cursos técnicos. Ao propor tal programa, o Executivo federal reconhece as deficiências na formação de quadros técnicos, tanto para o setor produtivo como em profissões associadas ao bem estar das pessoas, em particular nas áreas de saúde, educação e meio ambiente.

Entretanto, apesar de serem necessários incentivos a uma adequada formação de técnicos, tanto no aspecto do número insuficiente desses profissionais quanto na qualidade de sua educação, dependendo da forma que o programa vier a ter, pouco ou nada contribuirá para as suas finalidades, em especial se repetir os passos do ProUni e do Fies. Para prevenir que esse novo programa incorra em erros passados deveríamos evitar alguns aspectos do ProUni e do Fies, que financiam matrículas em instituições privadas.

Uma das características da educação superior brasileira é a sua privatização: estamos entre os três ou quatro países com a menor participação do setor público. Essa privatização faz o Brasil apresentar uma distribuição de estudantes pelas várias áreas do conhecimento bastante diferente da dos demais países. A nossa porcentagem de estudantes em cursos básicos de ciências, engenharias ou agropecuária, por exemplo, é significativamente menor do que nos demais países, enquanto a porcentagem de estudantes nas áreas de negócios e administração é significativamente maior. Essa distorção é provocada basicamente pelas instituições privadas, uma vez que a distribuição de estudantes nas instituições públicas obedece à regra mundial.

Assim, subsídios ao setor privado acirram essa distorção. Outra característica do ensino superior brasileiro diz respeito à qualidade dos cursos em instituições privadas. Como decorrência do fato de estas se preocuparem, necessariamente, com os seus balanços financeiros, muitas vezes em detrimento da qualidade dos seus cursos e das necessidades do País, quer sob o aspecto regional, quer em relação às diferentes áreas de conhecimento, subsídios ao setor privado acabam por incentivar maus cursos e más instituições.

O retorno social de grande parte dos cursos oferecidos pela  instituições privadas é muito baixo, tanto para a sociedade em geral quanto para os próprios estudantes, no que diz respeito às chances de trabalho nas áreas em que se graduaram, às possibilidades de acompanharem as mudanças tecnológicas e sociais e à remuneração que receberão.

O ensino na maioria das instituições privadas pode ser classificado muito mais como uma revisão de algumas ferramentas - de matemática, interpretação de textos e de leis científicas -que deveriam ter sido fornecidas ao longo da educação básica, aliada a um treinamento em alguma área momentaneamente em voga e de baixo custo. Não é à toa que são abertas vagas ao sabor de modismos e fechadas tão logo esses modismos ou o" mercado de trabalho" (ou uma ilusão dele) se esgotem.

Os exemplos mais recentes talvez sejam os cursos de Fisioterapia e de Educação Física. Assim, incentivos a uma expansão adicional das matrículas em instituições privadas são um desserviço à Nação. Considerando a qualidade dos cursos, o próprio Tribunal de Contas da União (Relatório de Auditoria Operacional - Programa Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), 2009) alertou para o fato de que, com o ProUni, "corre-se o risco de formar uma massa de profissionais com escassa qualificação para o mercado de trabalho". Além disso, "tem-se 'pago' - indiretamente - um preço maior pelas vagas nas instituições privadas de ensino superior do que o montante que elas efetivamente valem".

Nesse contexto, antes de repetirem no ensino técnico os mesmos passos do ProUni e do Fies, seria necessário avaliar muito cuidadosamente os resultados desses programas. Além dos aspectos já salientados - que se devem repetir no ensino técnico -, há que atentar para taxas de evasão mais altas e considerar os custos econômicos para os governos e para as pessoas.

Vale lembrar que os investimentos necessários para manter um estudante de graduação numa instituição pública são equivalentes aos custos do setor privado (veja-se, por exemplo, Jornal da USP, 18/11/2010, página 2, acessível pela internet). Em cursos de igual qualidade, os investimentos públicos podem ser significativamente inferiores aos de instituições privadas.

É necessário lembrar, ainda, que o ProUni coloca bons estudantes - afinal, são estudantes economicamente desfavorecidos e que, apesar disso, apresentam bom desempenho - em maus cursos. Em instituições públicas esses mesmos estudantes estariam freqüentando cursos de melhor qualidade e em áreas de conhecimento mais adequadas para o País, seriam mais bem atendidos, encontrariam moradia, assistência médica e alimentação subsidiadas, poderiam envolver-se em bons programas de iniciação científica, teriam professores acessíveis, boas bibliotecas e amplas possibilidades de pós-graduação.

Melhor teria sido, em vez de criar um novo programa de subsídio ao setor privado, rever os resultados do ProUni e do Fies. O Pronatec deveria restringir-se a incentivar os setores públicos do ensino técnico, os quais deveriam trabalhar em rede para uma cobertura adequada do território nacional e considerando as necessidades das diferentes atividades profissionais e regiões do País.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A Lição do Rato


Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote.Pensou logo no tipo de comida que haveria ali. Ao descobrir que era uma ratoeira, ficou aterrorizado.Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:
- Há ratoeira na casa, ratoeira na casa!
A galinha retrucou:
- Desculpe-me, Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.
O rato foi até o porco e:- Há ratoeira na casa, ratoeira!
- Desculpe-me, Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranquilo que o Sr. será lembrado nas minhas orações.
O rato dirigiu-se à vaca e:- Há ratoeira na casa!
- O quê? Ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira.



Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver. No escuro, não percebeu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher…
O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital.Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre nada melhor que uma canja de galinha.
O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.
Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.
A mulher não melhorou e acabou morrendo.
Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Como surgiram os ornitorrincos?

terça-feira, 19 de abril de 2011

As humildes memórias de um ex-aluno

Bom, primeiramente desculpem-me os conselheiros do “você não é do campus Bambuí”, "opinião de ex-aluno não conta", do "não se meta com isso" e tantos outros.

Pelo bem do IFMG-Campus Bambuí e imensa necessidade de ver essa escola por qual tenho carinho inestimável ser a maior do Brasil, falo agora e aqui, com a propriedade de quem conviveu com muitas pessoas em época de curso técnico, que fez curso técnico integrado na rede, que fez graduação no antigo CEFET BAMBUÍ, que foi estagiário no CEFET BAMBUÍ, que foi técnico administrativo no CEFET BAMBUÍ e no IFMG e que agora, trabalha como professor TAMBÉM no IFMG, completando já doze anos de inquilinato neste condomínio. (Além de ter convivido a vida toda do lado dessa escola e com pessoas que se formaram nela em todas as épocas imagináveis)

Aluno também pensa!
Desses doze anos, em sete fui aluno, em cinco atuei como servidor (estagiário, técnico e professor), e destes cinco por sua vez, passei praticamente três deles em Bambuí! Então falo sim com toda a propriedade que me é devida. Tentando relatar um sentimento, uma percepção. Citando momentos descreverei a seguir algumas SENSAÇÕES vividas neste longo período. Sensações que não podem ser barradas, somente sentidas e neste texto externadas. Não citarei nomes, mas se a carapuça em alguém servir, bom, esteja à vontade para nos falar o diâmetro da sua cabeça.

Entrei num CEFET BAMBUÍ em 2004 com expectativas que não foram atendidas. Isso foi um fato!

Não respondo por todos os cursos, mas adianto que minha sensação era generalista, abrangente e quase crônica quando ingressei no chamado, nada mais nada menos, "Curso Superior de Graduação Tecnológica em Análise e Desenvolvimento de Sistemas com Ênfase no Agronegócio". Isso mesmo, o nome do meu curso era composto de nove palavras. Chega a ser engraçado perceber o inocente e “anarfabétyku” pleonasmo no "superior de graduação tecnológica". E chega a ser mais engraçado ainda saber que este nome viera mais tarde a ser modificado em outros quatro, cinco momentos. Mas isso é o de menos, serve apenas para ilustrar, através de um pequeno galho na relva, toda uma selva na qual estavam aparentemente perdidos professores, técnicos, departamentos, alunos e recursos. Perdidos em uma estagnação que fora sedimentada ao longo de válidos quarenta anos, porém na década de 2000, uma estrutura já desgastada demais, duradoura demais, acomodada demais e confortável demais a um mesmo grupo. E nem culpo o grupo por isso, acho que é natural. As pessoas vão se sentindo mais “donas do pedaço” ao longo dos anos.

Com a percepção de um aluno a ser formado, no mais clássico sentido da palavra forma (leia-se “a do bolo”), me via num curso moldado, no mais clássico sentido da palavra molde, para alienar. Biblioteca lastimável (não tínhamos praticamente nenhum volume na área de computação), o curso não era reconhecido pelo MEC, já éramos a 2º turma e até o segundo semestre existiam apenas quatro professores, sendo que um ministrava aulas de Produção Zootécnica, ou pelo menos fingia dar esta aula, afinal, eu que entrava num curso para aprender COMPUTAÇÃO, assistia aulas totalmente foras do contexto.

Não existiam laboratórios usáveis. Eram 30 máquinas das quais poucas funcionavam (e este era o único laboratório para o Curso Superior de Graduação Tecnológica em Análise e Desenvolvimento de Sistemas com Ênfase no Agronegócio!). Os professores, que se amontoavam em uma pequena sala ao lado, não tinham recursos para ministrar um conteúdo qual tinham tanta vontade de nos passar. Não importa se era prática ou teórica, NÃO EXISTIAM RECURSOS PARA NENHUMA DAS DUAS! Fico até feliz de ver uma discussão numa comunidade sobre as eleições no Orkut sobre qual peso uma dessas modalidades de aula deva levar. Prática? Isso era inimaginável há quatro, cinco anos atrás em meu curso.

Relembro nomes como do excelente Professor XXXX, do fantástico Professor XXXXX e tantos outros, que incomodaram por querer um curso bom demais, um curso fora da “forma de bolo” e aí sim, assaram, pegaram o chamado também na comunidade “trem para a Sibéria” rsrsrs, ou seria “trem para o triângulo”. Neste caso não o das bermudas, pois todos estes excelentes profissionais que admiro são reconhecidos hoje como excelentes onde estão. Estão melhores hoje do que estavam na época. Que perda de cérebros foi aquilo!
Sob os atentos olhares!
Lembro-me de muitas Fulanas, Beltranas, Cynaras, Cidas e Ciclanas, protegidas até o último momento, e no final, no limite da paciência e da pressão estudantil, rodarem feito uma baiana no pelourinho. E depois, uma chuva de desculpas para lavar toda a poeira levantada e espantar as piadas dos alunos, as baratas do antigo refeitório, os pernilongos dos alojamentos, a fumaça dos viciantes e incontroláveis cigarros juvenis, a meninada do primeiro ano do único laboratório de informática, dos carros chiques e do ônibus, que naquela época sim, naquela época era terrível! Ou algum aluno de 2006 já se esqueceu dos combinados de “Não peguem o Transimão”? Hoje a Transimão domina o trecho? Será por quê? Já se perguntaram isso?

Lembro do frio e da neblina que vinha da lagoa, quando esperávamos fora da escola um ônibus de dez da noite até uma da manhã. Por ordens, não podíamos ficar nas dependências e nem na guarita, outra bobagem que não me incomodava, mas que por mero detalhe dá dimensão da necessidade de autoritarismo.

Alguém se lembra dos famosos “Big Brother´s”? Prender alunos durante dias no refeitório, sem poder sair, para interrogatórios e posteriores expulsões. Lembro-me da fama de um que teve cinco dias. Aula? Que nada! Todos comentavam, mas ninguém podia (falar) provar, e nunca poderão, nunca poderemos, não posso, nunca podíamos. Será que poderíamos? Nunca vi antes um medo tão grande de conjugar o futuro, parecia que existia uma lei a favor do pretérito imperfeito. Os famosos “Black-outs” sempre terminavam em botinas voadoras nas salas dos figurões. Como ficavam magoados! Não viam o que os alunos sentiam, não prestavam atenção no sentimento. “Ah! É só coisa de adolescente! Expulsa uns quatro que ês miora!” E escrevendo agora essas palavras, me sinto novamente aluno, o sentimento fica, acho que nunca vai passar, era muita sacanagem. Quando falam na tal comunidade da falta de proximidade com os alunos, falam de qual forma de proximidade? Por que se for a forma que imperava antes de 2007, por favor, os alunos não precisam deste tipo de aproximação, estava muito mais pra intimidação, coação.

Hoje se fala em melhorar o xerox, o transporte. Do refeitório!? Alguém se lembra dos famosos “cozidos de bode” ou das (não eram costelas!) ESPINHAS DORSAIS COZIDAS de gado velho, repleto de antibióticos aplicados antes do bicho ser sacrificado e ir para o prato da meninada! Eu via adolescentes longe das suas famílias, se deliciarem com bolacha recheada a semana inteira. Não agüentavam a comida produzida na escola. Sem nutricionista, sem nada! Isso ninguém na tal comunidade vai falar. Ou tem algum aluno que como eu também provou das delícias da época, ou digo mais, alguém acha que nutricionista também é frescura e que menino num precisa disso? Não me falem de refeitório, hoje não servem mais em bandejões metálicos enferrujados. Não encontram mais baratas na comida, nem nada desse tipo. Nada contra o bandejão, tem seu charme, mas é sempre bom um bandejão pelo menos “acyadym”, como lá dizíamos. A fila foi fila igual a do INSS em capital durante anos! Não havia sistema, não havia dois atendentes que fosse. Gente o refeitório antes de 2007 era uma coisa sem comentários. Se apenas o meu relato não servir, peço encarecidamente que perguntem aos alunos que estudavam lá nessa época.

O famigerado “rapar curral” e “cortar cana” dito tanto na referida comunidade foi distorcido. O sentido correto disso só vai poder ser sentido por aquele aluno que era retirado da sala de aula, do seu quarto, das suas férias, do seu feriado, do aniversário da vô, do casamento da tia, do funeral do primo, do almoço de domingo, do dia das mães, do dia dos pais, do carnaval com os amigos, do NATAL, do reveillon e tantos outros momentos “inúteis” na concepção alheia para, a kilometros de casa, descarregar um caminhão de esterco. E ainda depois ter que ver o seu nome afixado numa folha, como um jornal de mau gosto, dizendo: “tal aluno deve 6 dias de trabalho”. Essa conversa TEM FUNDAMENTO SIM! Não desvirtuem! É feio o título que estão dando: “Trabalho escravo”. Mas não acho que estão chamando disso só pra fazer piada. Alguém já chegou a dormir nas dependências do antigo suíno!? Eu já! Não falem besteira! Os prédios da mecânica, que hoje são as lápides deste antigo e nefasto alojamento, escondem uma história de anos. Isso sim foi ação! Foi progresso! Que tal levar um pouco disso tudo em consideração antes de se dizer que estes estão abarrotados de alunos em salas minúsculas? Vão dizer: “Obra, obra, pra que obra?” Obras são patrimônio! Não sejamos contra elas. Antes de se criticar dizendo "Vão inaugurar prédios vazios... pff".... Tentem pensar: "Como utilizaremos essa estrutura no próximo mandato em prol do aluno e do servidor?"

Não vou falar de coisas pop´s hoje como o bullyng de sempre, das discriminações, das preferências, das vantagens distribuídas como mensalidade, das famosas e concorridíssimas MONITORIAS, essas aí eram somente para os quais chamávamos de “moralzudos” ou, de “pelo bão”. Aluno que virava o mundo de cabeça para baixo para poder ter o prazer de varrer as salas de aula após um dia de expediente em troca de prato de comida no refeitório, chamavam de ISENÇÃO. Como era triste ver aquilo.

Ainda existe o conceito de “calouro”, “enfeitado” e “doutor”. Eu refletia sobre essas denominações que vocês nem sabem. Lembram-se também de quem esperava a quarta chamada no exame de seleção!? Huunnn, a famosa quarta chamada! As pessoas diziam que a quarta chamada era conhecida por ser posterior a uma outra etapa que não constava no edital: A conversinha. Era ir lá, trocar uma idéia na mesa de uma figura aqui, outra ali. E assim, por mágica o nome aparecia na lista da quarta chamada. Que fama era aquela. O que vejo hoje, depois de tanta coisa superada é uma sistemática necessidade de volta a esse passado tão pouco focado no aluno. Eu tento refletir e pensar que, quem defende esse discurso, ou escuta quem promoveu esse tempo das sombras, só pode estar enquadrado em duas situações: 1 – Ou não viveu aquilo e não sabe realmente o que foi – está desinformado. 2 – É uma pessoa que não tem o mínimo de respeito com o ALUNO! Porque desejar a volta de um sistema daqueles, tem que ser simplesmente doido!

Pode ser que a chamada "escola fazenda" para a época ida dos anos 60 e 70 tenha sido um sistema eficaz de formação de técnicos. Mas há muito não é mais. Ainda mais para os tempos atuais!

Galera, não vamos nos esquecer! 

VIVA O ALUNO DO CURSO TÉCNICO! Foi ele quem construiu essa escola e mais da metade deste Brasil! Era triste não o ver respeitado e é ainda mais triste não o ver ser respeitado agora com ameaças, dissimulações e apreciação desse tempo.

Lembram-se do velho ditado: "Diga-me com quem tu andas, que lhe direi quem tu és!"

É muito engraçado ainda perceber quem não tem conhecimento de todo o contexto, ir a comunidade e pregar como um catedrático, acusando uns e outros de “ditador”, “antipático” e “falso”! GENTE! CUIDADO COM A MANIPULAÇÃO! Cuidado com o chavão de “amigão”! Amigão de aluno não existe! Estão sempre querendo alguma coisa e tenham certeza, vão usar dos piores métodos para conseguir isso!

Mas também dizem muitas coisas corretas: “Não podemos abrir mão do passado”. Pena que em muitas das vezes, usam essa expressão para tentar se dignificar na esperança que todos devam voltar a ser o que eram, os processos voltem a ser como antes, a não fiscalização e cobrança retorne. Prezados, não é bem assim.

O passado é importantíssimo, mas a reciclagem é sempre necessária. Muitas coisas mudam e outras não. O importante é a mudança num sentido de evolução. E essa, quando existem pessoas dispostas a fazer, se torna inevitável. Para qualquer empresa, instituição, escola, CEFET, CEFET, CEFET, 3º melhor centro universitário do Brasil. Ah! Que saudades daquelas faixas que recobriram a cidade! Não importa a gestão, o que importa é que aquela faixa, que eu via da janela do carro, cada dia numa carona, me fazia sentir importante, diferente do tamanho que antes nos deram pra no máximo crescer! Não tínhamos DCE, não tínhamos ouvidoria, não tínhamos nada! Só a ilusão de uma boa escola! Julgavam que éramos alunos bobos do interior, diziam que quem quisesse coisa boa mesmo que fosse para outro lugar, lá era lugar de técnico ralar e gente do curso superior formar rápido, para sair logo! Ponto final! Quantas vezes ouvi isso. “Somos uma escola famosa, veja como está limpa nossa fachada!” “Ninguém vai limpar a cozinha!? Arrumar as camas!? A sala de TV?”

 “NÃO QUEREMOS OBRAS FARAÔNICAS!” Que isso! EU QUERO O MÁXIMO DE OBRAS FARAÔNICAS POSSÍVEIS! Logicamente aliadas a muitas outras ações. Mas elas também fazem parte. Vocês, que fazem curso superior (ou qualquer outro) não sentem uma certa sensação de inferioridade quando vão a uma formatura de outra universidade, num auditório construído exatamente para aquilo, e sua família vem, seus amigos... gente.. isso é importante demais. Uma biblioteca grande e espaçosa, um espaço para os alunos fazerem suas festas, gincanas e etc. Afinal, estamos falando aqui de votar A FAVOR da oposição ou, como um grunge rebelde sem causa, votar CONTRA a situação!? Votem A FAVOR do seu candidato! A FAVOR! Vejam as propostas de todos! Vejam o que foi feito, o que pode ser feito, vejam a pessoa! Votem A FAVOR! Não se atenham a dedos apontados e a perguntas capciosas! Escutem propostas! Esse negócio de votar CONTRA não garante nada! Em muitas vezes pode sair torresmo e entrar banha! Cuidado!

(Acho inclusive, que neste ponto, um debate cairia muito bem!)

Quando vejo esses murmúrios de manifestação anti-obra, anti-escola, anti-infraestrutura, anti-progresso, anti-IFMG, anti-patrimônio NOSSO, lembro-me quando fui estagiário no início de 2007! Sequer tinha uma sala decente para o departamento de informática! Aliás, sequer tinha computador! Quantos técnicos de informática passaram no concurso público e entraram no antigo CEFET e não tinham sequer computador pra trabalhar!

Quando as pessoas vão a comunidade falar de passado, elas falam exatamente disso! De um autoritarismo forte, articulado e muitas vezes, principalmente para quem era aluno, assustador! E isso não são palavras ao vento, quem viveu viu! Viu o desprezo para com o trabalho científico, viu retumbar pelos corredores os burburinhos defamantes de concursos manipulados, de recursos desviados e de um pequeno grupo que sempre levava as vantagens, em detrimento de uma instituição que mais do que nunca foi imperial! Aí vão dizer pra mim: “Prove o que você está falando”. Eu respondo: Eu não provo nada! Isso sempre foi FAMA! Assunto na cidade, papo de corredor. Isso não dá pra negar! Provas podem sumir com elas. Agora impressão essa fica, ficava - ficou. (e ainda, até hoje, gera comentários e incertezas pelos cantos).

Então, veio uma proposta nova, uma proposta inovadora que estava por romper todo um império quarentão naturalmente desgastado. Essa foi a cara da candidatura do Flávio! Uma candidatura que se propôs a mudar e mudou muito. E digo isso com a consciência de quem viveu um crepúsculo inverso, saindo de uma noite fria fora da guarita para uma manhãzinha no início pouco iluminada e que aos poucos, a cegantes olhos vistos, brilhou como um sol forte de meio dia em período curto de um ano:

Programas de pesquisa, capacitações, gestão por competências, organização interna, ouvidoria, dinter, minter, vínculos com instituições de fomentos (ou alguém acha que o dinheiro criou boca e foi lá falar com o CNPQ?). Expansão da biblioteca, renovação completa do refeitório, abertura de cursos em várias áreas e muito mais. Aí o amigão vai falar: “Mas isso foi investimento do governo! Não é mérito!” Galera isso é mentira! Aplicar o recurso num lugar certo, voltado para o aluno, gerenciar um projeto, gastar o mínimo possível para entregar o melhor possível, isso dá um imenso trabalho! Só gente competente sabe fazer isso! Enfim, aquela história do “renovar o sangue” aconteceu na prática nessa época!

E o meu curso? Em um período de um ano e meio já existia na biblioteca uma sessão de livros totalmente voltada para a COMPUTAÇÃO, dois laboratórios com 80 máquinas novas FUNCIONANDO, RECONHECIMENTO DO MEC em seu melhor conceito (http://emec.mec.gov.br/), adequação do nome e das disciplinas do curso, muito mais professores, possibilidade de bolsas em projetos de iniciação científica e assim por diante. Além das coisas, que a galera nova hoje não vê, pois chegou depois: Refeitório, calçadas na escola, reforma de vários setores, laboratórios específicos como os de Mecânica, Informática, sala de professores e muito mais. E isso era só uma percepção de estudante minha. Nada mais.

Eu começava a ver um sentido nas coisas. As obras, a imitar as plantações que rodeam a escola, brotavam do chão todos os dias (e ainda brotam). A gestão, mais organizada do ponto de vista empresarial, se mostrava num norte que até então nunca existira. Inclusive, a sensação que se tinha era que o CEFET havia encontrado uma bússola, e que deixara de navegar a mercê dos sopros de poucos e tomava um rumo a terra (não a encantada como prometem, mas aquela que permite colocarmos os pés no chão), ancorando num lugar, que como qualquer outro tem seus problemas, contudo muito mais próspero.

Não estou aqui defendendo um lado ou outro, estou aqui para relatar pra vocês um SENTIMENTO vivido e que não pode ser desprezado. Como eu disse no início, essa não é uma história que tem por pretensão finalizar a discussão, longe disso. Ela só serve de base, numa amostragem pequena, para dar entendimento do que de FATO foi o SENTIMENTO de um aluno, ou até quem sabe, o sentimento de um “cursinho de informática pra cidade” como chamavam, que no fim foi salvo pelo gongo e formou mestres, profissionais, professores e muitos outros. Acho que nem esperavam tanto isso do "Curso Superior de Graduação Tecnológica em Análise e Desenvolvimento de Sistemas com Ênfase no Agronegócio". Ainda bem que as coisas mudaram a tempo e eu estava lá pra ver.

Antes de começar o bombardeio, vejam bem! Não digo aqui que a oposição de hoje é o passado de outrora! Mas afirmo que, com toda a certeza e apesar das dificuldades, a gestão atual foi muito positiva, rompeu com vícios corporativos e deu norte pras coisas. Fico preocupado em ver quem está com quem nesse processo eleitoral. Espero que, seja lá quem for a próxima gestão de Bambuí, lembre-se do que passávamos como alunos há alguns anos atrás, reflita e continue no caminho certo, caminho que inegavelmente, até agora, foi desenhado pela gestão do Diretor Flávio Godinho. E como já disse antes e em outras ocasiões, se alguém tiver um pouco de paciência para perguntar, ler, averiguar, vai logo perceber que tudo isso que eu disse são simplesmente fatos, não política!

Pensem nisso.

Fraterno abraço a todos!