segunda-feira, 13 de abril de 2009

De volta a Capoeira!

Ciniro diz: "Voltei a fazer capoeira"
Pessoa responde: "Capoeira!? Hã! Você!?"

Por mais que pareça incrível eu, depois de muito tempo, sai do sedentarismo. E melhor, sai com estilo. Quase 7 anos depois eu voltei a praticar capoeira, esporte que eu amo e, de fato, mexe comigo.
Para muitos soa como excentricidade.. "coisa de Ciniro, daqui a pouco passa"
No entanto, sinto informa-lhes, não passa não.

A capoeira entrou na minha vida quando eu tinha ainda uns 14 anos e morava em Medeiros. Foi o popular Tio (Alexandre Leandro hehehe) que um dia resolveu se mudar pra lá e arrebanhando uns alunos acabou por formar uma primeira turma amparada pela associação Filhos de Nzambi que até hoje ministra aulas gratuitas na casa da cultura em Betim. Medeiros, cidade pequena que é, ficou horrorizada! Essas coisas de "roda de capoeira", "sons de berimbau", "musicas estranhas".. a classe mais idosa e conservadora da cidade não assimilava bem. E eu, gerador de polêmica que sempre fui não perdi tempo, entrei logo no grupo e comecei a rodar o pé.


Rapidamente fiquei fascinado e admirado com esse esporte que é dança, é arte, é cultura brasileira. Capoeira pra quem não sabe é um esporte introduzido no Brasil numa forma primitiva pelos escravos oriundos da África e com o tempo foi sendo moldada, aqui mesmo e assim surgiu. Genuinamente brasileira. Em suma, existem dois estilos principais: A regional para os afoitos, apressados e com golpes mais evidentes. É jogada de pé em ritmo acelerado e exige bastante condicionamento físico - um excelente exercício aeróbico. E a minha preferida, a capoeira de Angola. Essa remonta toda uma tradição de anos e anos, vinda diretamente das senzalas é um jogo muito mais que composto por movimentos, exige muito raciocínio e inteligência. Vejam essa definição extraída de uma dissertação de mestrado acerca da capoeira angola:
"É comum a primeira vista ver o jogo de Angola como não perigoso ou não elaborado, contudo o jogo Angola se assemelha ao xadrez pela complexidade dos elementos envolvidos. Por ter uma sistemática estruturada em rituais de aprendizado completamente diferentes da Regional, seu domínio é muito mais complicado, envolvendo não só a parte mecânica do jogo mas também características como sutileza, o subterfúgio, a dissimulação, a teatralização, a mandinga e/ou mesmo a brincadeira para superar o oponente."


Bom, eu de fato adorava fazer capoeira, fui um dos primeiros alunos em Medeiros e fiquei enquanto pude. Infelizmente, dois anos depois, me mudei para Araxá e de lá pra cá, nunca mais havia treinado nada. No entanto, há um mês e meio atrás a minha colega de trabalho Patrícia me disse que estava praticando em Bambuí e me convidou para comparecer ao treino. Resolvi ir fazer um "test drive". Como no passado, foi instântaneo, apaixonei-me à primeira vista uma segunda vez! E estou aqui agora, cheio de dores pelo corpo. Meus amigos gelol e dorflex que o digam.

Pessoalmente estou meio frustrado porque eu realmente esperava que eu estivesse em melhor forma, mas com o tempo vou tirando a ferrugem do corpo e pouco a pouco voltarei a ser o médio que eu era no passado (Apesar de que estou bem mais velho agora e isso está se refletindo nitidamente nas minhas articulações). Vamos ver se até o fim do ano melhor minhas condições físicas melhoram e essas dores terríveis passam.

No mais, a muito tempo que não me sentia tão empolgado com qualquer coisa que não fosse trabalho. Capoeira me faz feliz e recomendo pra todo mundo. Os treinos acontecem de graça no CIEB aqui em Bambuí de 7 as 9 da noite, de segunda a sexta. O professor Kiko é um monstro do esporte, bem como o seu pelotão de frente formado por graduados com cordel amarelo e de auxiliar, logo, não venha querendo enfrentá-los, tem-se que comer muito feijão pra ficar bom mesmo de capoeira - dedicação é primordial pra ficar bom em qualquer coisa, principalmente nessa arte que é cultura, é esporte, é patrimônio nosso.. é a capoeira!

3 Comentários - :

Patrícia Namitala disse...

É, Ciniro, realmente a capoeira é uma arte que desperta as origens. É herança cultural!
Ao ler o seu texto, parece até que me senti fazendo capoeira...

Grilo disse...

a capoeira esta muito difundida em varios paises, hoje em dia a capoeira para os estrangeiros é bem mais valorizada do que para nos brasileiros. Então temos que treinar muito para que eles não nos utrapassem pois do jeito que vemos por ai estão abandonando a malandragem a malicia para inplantar a violencia de outras lutas.
Para você capoeirista que quer regatar a cultura tão rica da capoeira treine a capoeira angola, uma capoeira respeitosa bonita e eficiente.

kinghorse1000 disse...

Hojé trato a capoeira angola como parte existencial do meu desenvolvimento socio-intelectual. Inclusive no momento estou tentando desenvolver uma monografia, termino de curso - GeografiA (UEPB). E fico lisongeado de participar desse mundo que vislumbra aqueles que engrandecem com tão nobre arte........Moleque saci(instrutor) - Associação Badauê - PB (Mestre Sabiá).....

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