sábado, 27 de fevereiro de 2010

Há muito tempo, uma banda chamada...



Era domingo de manhã em Medeiros. O céu estava claro, o clima agradável sobre as árvores e o vento soprava devagar. A praça estava lotada de pessoas da zona rural perambulando para baixo e para cima como formigas vagando sobre o açúcar. Muitas barraquinhas com churrasco e cerveja enchiam a praça com aquele característico cheiro de festa humilde. As pessoas trajavam botas e chinelos em sua grande maioria e, ocupando todo aquele lado esquerdo da igreja para quem vem de baixo pra cima, ajudavam a entupir o pouco espaço que a cidade sempre forneceu. Um palco simples coberto de lona preta figurava em frente ao Varanda’s Bar, boteco que também ficava ao lado da igreja. A música caipira que saía chiada daquele sonzinho de quatro auto falantes entrava na cabeça, descia pelo estômago, chegava aos pés e, sem querer, um toc-toc do tênis furado no chão completava todo o estado de nervosismo que eu sentia enquanto subia ao palanque da tradicional festa de São José e São Sebastião carregando aquela guitarra Washburn Lyon amarela e preta nas mãos.

Numa galáxia muito, muito, muito distante. Torre de Medeiros.

Depois de tirar o cabelão da cara, lembro de olhar pro lado e perceber a madeira solta no chão do palco. Lembro-me de ver os cabos sujos, emaranhados e feios. Lembro-me de ouvir o barulho da lona balançando e lá no meio do povo, quando olhei pra frente, lembro-me de ver pelo menos umas 50 pessoas com os olhos bem abertos atentas ao que se passava. Netinho vinha logo atrás com um teclado infantil de quatro oitavas. Jefferson caçava loucamente um lugar para se posicionar com o baixo enquanto éramos xingados literalmente pelos amigos que nos observavam. De repente, alguém perguntou:

- O volume da sua guitarra tá no máximo?

Eu disse: Num sei!

- Então dá uma batida aí nas cordas pra gente testar!

Levantei a mão pra cima. Ajeitei a surrada e arcaica pedaleira Zoom 505 1 na posição da distorção qual eu julgava mais legal. A música sertaneja parou, o povo ainda nos olhava atentamente, a palheta era cor de mogno. Pensei em todo o ensaio que havíamos feito no dia anterior dentro de um quartinho. Pensei em toda a “complexidade” que Polly do Nirvana podia nos oferecer na época. Minha mão desceu como uma pedra direto nas cordas da guitarra, o som aberto e a adrenalina percorrendo o corpo. Quando palheta e instrumento se encontraram houve um estrondo gutural, altíssimo e agudo:

Beeeemmmmmrrrrrrrrrrrrr.....

Alguns desenhos produzidos na época com estúpida rebeldia sem causa

A cara de todos se fechou, muitas mãos foram aos ouvidos. Poucos gritaram junto a aquele som totalmente inédito na cidade pequena. As pessoas velhas reclamavam saindo do lugar, os adolescentes se aglomeravam para entender o estrondo diferente. Eu levantei a cabeça, olhei pro Jefferson, cabeludo, espinhento, calça rasgada. A gente sorriu junto enquanto o Netinho tentava entender o que tinha sido aquele barulho. Deixei o nervosismo simplesmente sumir enquanto tentava assimilar que aquele som nosso seria muito mais que um barulho apenas, seria a primeira banda de rock de uma cidade. Aquele barulho era o ínicio de toda uma longa história marcante, aquele barulho era o ínicio de uma fase para muitos, era o início de uma querida e estúpida banda de nome Autópsia!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Uma ponte para a morte

Medeiros é interligada a cidade de Bambuí por uma pequena rodovia que tem extensão de aproximadamente 35 km. É uma rodovia de asfalto bem conservado e, em geral, pouco movimentada. Foi construída no primeiro mandato do atual prefeito da cidade de Medeiros Binho e representou um grandioso, senão a maior e mais importante obra da cidade em toda a sua existência.

Apesar de toda a importância desta estrada e qualidade do projeto existem sérias arestas. Arestas estas que deixam as pessoas simplesmente indignadas pela estagnação dos governantes frente ao problema e pior, arestas fatais que tiram vidas.

Nesta semana de carnaval, mais uma pessoa morreu na estreita e perigosa ponte do Ribeirão Ajudas que está situada no meio da rodovia. Esta ponte que, ao meu ver, é um projeto incompleto para substituir uma outra ponte mais antiga é simplesmente um ponto de altíssimo risco para os motoristas. Possuindo no máximo 4 metros de largura, sem proteção lateral e coberta por um imenso bambuzal que prejudica a visão de quem a atravessa, já foi cenário de vários acidentes nos quais várias pessoas morreram.

A ponte é especialmente perigosa a noite quando se torna praticamente impossível visualiza-la de longe. Para motoristas que desconhecem o caminho é uma ameaça de vida. É altamente necessário que as autoridades competentes iniciem um projeto de avaliação do trecho e melhora deste ponto na rodovia. Representantes das cidades de Medeiros e/ou Bambuí deveriam o quanto antes, por seu poder político, entrar em contato com o Governo Estadual que faz a manutenção do trecho. Outro orgão que deveria abrir o olho para o projeto do trecho é a Indústrial de Alcóol Total que foi recentemente implantada na região e utiliza largamente o acesso para transporte de insumos e produtos com imensos caminhões.

Gostaria de dar meus parabéns aos manifestantes que na manhã do dia 22 deste mês estiveram presentes no local do recente acidente portando faixas e interditando os veículos. Está é mais uma forma de chamar a atenção para a situação que é crítica.

Manifestação na perigosa ponte do Ribeirão Ajudas na Rodovia Medeiros-Bambuí
Fonte: Site da Rádio Sucesso Bambuí 103.3 (http://www.sucessobambui103fm.com.br/)

A administração de Medeiros que está em vias de executar outra grande obra de interligação: Asfaltamento do trecho Medeiros-Pratinha deveria se preocupar especialmente com esta situação visto que o novo asfalto representa, nada mais nada menos, que a interligação do sul de minas com o triângulo e norte através do centro-oeste. A BR-262 no trecho que compete a Araxá/Ibiá provavelmente terá uma parcela do fluxo de veículos direcionado para esta nova obra. Um grande avanço físico-estrutural que traz enormes consequências sociais. Esperamos que o projeto da obra seja dividido com a população, que os impactos sociais e urbanos estejam sendo medidos e que obras essenciais/básicas conjuntas de infra-estrutura como construção de uma rodoviária, rodovia passando por fora da cidade, melhora no quartel e aumento do policiamento urbano sejam pontos que não se tornem apenas esquecidas arestas de projeto como é na rodovia Bambuí-Medeiros hoje, a temida, imprevisível e fatal ponte do Ribeirão Ajudas.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Master Chicken 1.0 - Um aplicativo EXCEL para manejo avícola

Uau, que sensação estranha! Passei tanto tempo sem postar no CINIRONET que estou até estranhando a sensação de estar aqui mais uma vez enviando a vocês minhas palavras e idéias inúteis. Bem, como isso não vem ao caso agora vamos continuar :)

Pessoal, pra quem não sabe eu, com muito orgulho, sou um técnologo em análise e desenvolvimento de sistemas. Me formei no antigo CEFET-Bambuí, atual Instituto Federal Minas Gerais - IFMG. Nesse curso aprendi a fazer várias coisas interessantes com um computador:

  • Mandar emails
  • Trocar o papel de parede
  • Click
  • Double Click (desculpe IT Crowd - não resisti a piada)
  • Malabarismo com teclados (Não queiram ver isso)

E dentre estas coisas interessantes aprendi também a gostar de programar softwares, desenvolver programas de computador. Deixemos de lado aquela velha e péssima piadinha do "Nossa Ciniro... então você é um garoto de programa? HA-HA!"

Gosto de falar que não aprendi a desenvolver software e sim "a gostar de desenvolver software", pois essa é uma atividade que considero já ter nascido sabendo, um dom. Desculpem a modéstia, mas uma das coisas das quais mais me orgulho são dos códigos-fonte que produzo. Costumo dizer para os amigos inclusive que, em geral, eu não escrevo código, escrevo poesia algorítmica. E isso já serve para vocês terem uma pequena idéia da qualidade dos meus softwares e da minha prepotência quanto ao trabalho desempenhado. Pena que já estou há algum tempo parado no ofício de programador.

Não estando eu aqui hoje para me vangloriar venho até vocês então dar uma boa notícia. Resolvi dispor ao longo de alguns posts todo o trabalho acadêmico legal que desenvolvi nos anos de faculdade. Esse trabalho acadêmico se trata de todos os pequenos projetos de softwares (ou grandes ás vezes) que precisei produzir como trabalho nas disciplinas do curso. 

Vou começar hoje dispondo para download um aplicativo que desenvolvi logo no primeiro semestre: o MASTER CHICKEN 1.0 - Um aplicativo EXCEL para manejo avícola!



O MASTER CHICKEN tem uma história interessante, além de é claro, um belo nome de produto vendido naquelas propagandas do grupo imagem e teleshop (iogurteira toptherm, grill george foreman, furadeira superdrill). No primeiro semestre aprendemos lógica de programação usando a linguagem pascal. Eu achava legalzinho e tals mas estava na época mesmo era afim de ver uns botõezinhos (se é que me entendem em duplo sentido rsrs). Então, não satisfeito com a terrível telinha azul do nosso querido amigo Turbo Pascal me dediquei a ler um livro que mudou minha vida na sequencia do Curso: Visual Basic 5.0 - A bíblia.
Andava com aquele tijolo para todo lado. E acreditem ou não tive sim a paciência de ler o mesmo de cabo a rabo.

Na ocasião eu sabia muito pouco o que era uma IDE de programação (como o Visual Basic) mas acabei descobrindo através de um site que existia "VB no Excel". Isso me deixou muito feliz e assim, comecei a fazer todos os exercícios do livros entrando no Excel e pressionando o clássico atalho: ALT + F11!

Eu logicamente estava programando em VBA - Visual Basic Applications, mas não sabia! Aos poucos percebia que estavam aparecendo algumas diferenças entre o livro e o resultado dos exercícios, e claro, metido que sempre fui acabava por culpar o autor: "Esse cara não sabe de nada!"

Lembro-me de produzir iniciamente para fins de exercício uma urna eletrônica na qual meus amigos eram candidatos a prefeitura da pequena, querida e linda cidade de Medeiros. Após o sucesso nesta empreitada levei com facilidade o restante do curso no que tangia a produção de aplicativos em Delphi, Lazarus, .NET e similares. Ou seja, quando puderem leiam um livro desses, o resto é praticamente igual, o que muda é a sua paciência e talento para lhe dar com a tarefa de produzir software.

Desviei o assunto mas enfim, um dos trabalhos pedidos na disciplina de Algoritmo era a produção de um software para um setor industrial do CEFET. Lembro-me que o meu grupo pegou o setor de Avicultura. Lá se tinha uns criadouros de galinhas. O nosso programa deveria fazer a gestão da produção de ovos de toda essa galerinha ai! Pois bem, foi dessa idéia que surgiu o aqui disposto então: MASTER CHICKEN 1.0! Qual eu programei!

Na época aproveitei o ensejo dos estudos oportunos para desenvolver o mesmo todinho no Excel. Linguagem de programação, visual nas planilhas dinâmicas e banco de dados feito direto nas planilhas (essa parte é muito interessante). Então, espero que quem o baixar utilize para testar, aprimorar os códigos produzidos e aprender também. Libero esse sistema na esperança também que administradores, engenheiros de produção, contadores e outros metidos a "NOSSA MINHA PLANILHA DE EXCEL É DEMAIS" vejam que o Excel pode ir muito, mas muito mais longe do que a sua mente diminuta de mortal dos cálculos financeiros poderia supor!

O link para download segue abaixo, abraço a todos!

MASTER CHICKEN DOWNLOAD