quinta-feira, 8 de abril de 2010

A óbvia teoria da Escadinha Musical

Sobre música, uma das teorias que inventei, tenho e sempre defendo é a que chamo carinhosamente de "Escadinha Musical".

A "Escadinha Musical" nada mais é que os passos quais um indivíduo precisa seguir musicalmente ao longo de sua vida para não terminar como mais um repulsivo e irritante apreciador de rebolations, bondes do tigrão e musics cars irritation sounds.

Para vocês terem uma idéia da veracidade e aplicabilidade desta teoria afirmo-lhes que em 100% das vezes que analisei uma pessoa que gosta de Calipso ou Funk cheguei a mesma conclusão. O cara está lá ouvindo um Chico Rei e Paraná e eu, despistadamente, começo lhe fazer perguntas sobre sua história de ouvinte musical e, quando menos espero, descubro que o motivo é sempre o mesmo: A pessoa não galgou algum dos fundamentais degraus da escadinha.

Bom, mas o que vem a ser está bendita escada?

Exemplificando, vamos tomar por base aquele seu primo de 13 anos que do dia para noite, por causa de um amigo mais velho provavelmente, resolveu ser o fã número 1 de Dimmu Borgir (trash/heavy metal). Este garoto com certeza absoluta não gosta de ouvir isso! Ele não poderia estar gostando de ouvir isso no momento pois pelas leis da "Escadinha Musical" neste momento ele deveria estar ouvindo no máximo Legião Urbana.

A "Escadinha Musical" tem o objetivo de elevar o bom gosto do indivíduo pouco a pouco, amaciando seus ouvidos e preparando sua mente para todas as fases de amadurecimento de ouvinte.

Em geral, ali pelos 13-14 anos começa-se ouvindo Engenheiros do Hawaí, Legião Urbana, Cássia Eller e Capital Inicial. Têm-se que começar por aí ou algo do genêro. Este seria o primeiro degrau. Antes disso o cara só tem ouvidos para apreciar o que está em alta nas nossas rádios FM. E em geral, nunca é nada de bom.

Quando ele enjoar do Renato Russo, tiver decorado todas as músicas do "Como é que se diz eu te amo" 1 e 2.. ou já estiver enjoado de todos os acústicos da MTV ele começa a pensar em algumas coisas mais internacionais.

No segundo degrau vemos normalmente para os meninos o Nirvana, o Guns N´Roses, o Queen e para alguns mais avançados o Black Album do Metallica. Neste ponto também o vício em Iron Maiden vem naturalmente para qualquer lado. Aqueles com "tendências" (rsrsrs) se perdem neste segundo degrau e pulam para uma outra escada na qual existem degraus que desconheço mas sei que são compostos por Britney Spears, Lady Gaga, Madonna, Adam Lambert e toda essa péssima música comercial.

Paralela ainda a esta escada comercial têm-se também os que entram na que chamo de "Fase Malhação". A "Fase Malhação" é composta de degraus fáceis de subir ou descer pois são altamente enjoativos e é composta de NX Zero, Tokyo Hotel, CPM22, Restart, Banda Cine, enfim..

Quando não aguenta-se mais a melancolia do Kurt Cobain, a viadagem do Freddy Mercury e a gritaria do Axl Roses vai-se para o terceiro degrau.

No terceiro degrau você pode alternar entre a escada punk rock ou a escada heavy metal. Mas não se preocupe, de um jeito ou de outro é necessário passar pelas duas para ir para o quarto degrau. Neste ponto com um pouco mais de conhecimento a pessoa já passa a ouvir numa vertente Street Buldogs, Dead Fish, Ratos de Porão, NOFX, The Clash e outros punks interessantes. Na outra vertente o cara normalmente se apaixona por Black Sabbath, Ozzy, Pantera, Dio dentre tantos outros e, pouco a pouco, começa a descobrir o que hoje chamamos de Heavy Old School. Muitos acham tão interessante esse degrau que simplesmente param de subir a "escadinha" e ficam pra sempre ouvindo isso.

No quarto degrau o indivíduo passa a apreciar mais a música e começa a correr atrás de sons. Nesse momento, os clássicos começam a despencar na cabeça e tudo que já foi feito de bom no mundo é ouvido. O quarto degrau marca como ferro quente! Led Zeppelin para alguns, AC/DC para outros, Extreme pra você, Go go Dolls para elas, Aerosmith para eles, ABBA para eles/elas, The Smiths para os estranhos, Sepulta para os revoltados, Crisium para os mais revoltados ainda e até Cradle of Filth para os mais infelizes. O quarto degrau é o Pop não Pop do mundo do rock. Aqui você aprende a ouvir e apreciar o que é bom e o que não é de fato!

No quinto degrau você descobre que o mundo não é só feito de Rock e outros clássicos. É no quinto degrau que você percebe que Scorpions não é o que o seu pai falava, vê que Creedence é muito melhor que você supunha e que o Jimmi Hendrix era um bosta na guitarra. No quinto degrau você pode até cismar de ouvir Bob Marley ou se perder nas virtuosidades do Angra, na atitude do Viper antigo ou quem sabe alguma banda indie/underground que está por aí. O que importa é que no quinto degrau você já escolhe o que ouvir. Nesse ponto a música é feita pra você e não você para a música. Quando você aprende selecionar bandas realmente e vira expert nisso o sexto degrau é o próximo.

No sexto degrau você entende o que é bom pra você e aí começa a formar seu estilo musical. Muitos cismam com cult´s bands como Cidadão Quem, Los Hermanos, Cordel do Fogo Encantando, Gram e Clap! (há o Clap!). Você pode também desenvolver um péssimo e apurado gosto por The Cramberries, Belle And Sebastian, Radio Head e outras bandas chatas metidas a criativas que passam na MTV. Pode se especializar no metal bem feito como Primal Fear, Destruction, Tristania (credo), Blind Guardian e Anthrax. E aí vai.. no sexto degrau você faz seu estilo.

Bem, o último e sétimo degrau é peculiar.

No sétimo degrau nada mais te agrada como antigamente. Todas as bandas e músicas que você ouviu e decorou ao longo de tantos anos são agora apenas músicas. Aquela sensação de completude que você sentia quando ouvia Legião Urbana, ou logo mais quando ouvia Fear of The Dark pela primeira vez, ou quando ouvia Rebirht do Angra, depois Back in Black, depois Dia Especial... enfim... clássicos tem fim! No sétimo degrau você vive a procurar sons que realmente lhe agradem pra sentir novamente aquelas sensações antigas. A música nesse nível passa a ter pra você forma, conteúdo, cheiro, nostalgia, analogia, sentimento e técnica. Onde para cada uma dessas características foi preciso galgar um dos degraus e aprender a apreciar:

A "Escadinha Musical" lhe mostra que uma música para ser ouvida de forma completa precisa, de sete pontos e para cada ponto um degrau é necessário ser passado:

1º degrau - Sentimento
2º degrau - Forma
3º degrau - Cheiro
4º degrau - Conteúdo
5º degrau - Técnica
6º degrau - Analogia
7º degrau - Nostagia

No sétimo degrau você normalmente começa a ouvir a verdadeira MPB, descobre Sivuca, Cartola, Tom Jobim, qualquer maldito, o Clube da Esquina e até  bandas regionais desconhecidas que lhe fazem bem. Não venham questionar a ausência do Chico Buarque, do Djavan, do Caetano Veloso, Gilberto Gil e semelhantes. Somos brasileiros, estes não fazem parte da escada - estão implícitos no nosso código genético.


Bom.. agora que vocês já conhecem mais uma das minhas loucuras e teorias espero que se posicionem! Em que degrau da "Escadinha Musical" vocês estão?

Obviamente essa teoria não procede em alguns casos mas é aplicável a grande maioria. Observem e percebam!

Eu já vou indo
Sem parar e dando tchau
Ficando aqui o até breve
do alto do meu sétimo degrau...

6 Comentários - :

Gregório disse...

Isso tem mais cara de uma autobiografia cinironética que uma teoria em si.

Perceba que há 10 anos, quando você estava no primeiro degrau chorando ao som de Renato Russo eu já estava no sexto idolatrando Los Hermanos, Belle and Sebastian e Radiohead. Sem esquecer do Pato Fu, é claro.

Embora o meu sexto degrau tenha durado metade de minha vida (e estou nele até hoje), por determinados momentos achei Blink 182 e Offspring sensacionais, já fui ao show do Angra e do Shaman de camiseta preta e tenho certeza que se eu tivesse nascido nos anos 70 os Smiths seriam minha banda favorita.

Faltou ainda um degrau preliminar, que acontece na nossa infância. É a época em que ouvimos sertanejos, pagodes e quaisquer músicas que tocam nas novelas e rádios por falta de liberdade de escolha. Até encontrar um disco dos Beatles perdido na coleção de seus pais.

Coelhão Hack disse...

Doido...!!!!

Ciniro Nametala disse...

Fala meu amigo Gregs!
Todos os seus comentários só vem confirmar a teoria da escadinha!
Olha, eu vejo suas considerações assim:

1 - "Faltou ainda um degrau preliminar, que acontece na nossa infância"

Eu trato disso um pouco antes de falar do 1º degrau!

2 - "por determinados momentos achei Blink 182 e Offspring sensacionais"

Também trato disso no 3º degrau - é a chamada "Fase Malhação"

3 - "10 anos, quando você estava no primeiro degrau chorando ao som de Renato Russo eu já estava no sexto"

O fato de você ter saltado degraus, para mim, só vem explicar o seus gostos musicais estranhos como Ludov, vocalistas "Penélopes da vida" e os péssimos cd´s que inauguram a carreira do Patofu.

4 - "Isso tem mais cara de uma autobiografia cinironética"

Logicamente para provar a teoria eu precisei de um estudo de caso! HAHAHA!

Abraço

heliel disse...

o gregório tem razão, ta mais pra uma autobiografia, ou melhor uma autodiscografia Cinironética hauhauhaua..... tem uma certa razão no post mais porém, entretanto, todavia. acho que cada um faz seu caminho e evolui musicalmente ou não, de acordo com suas experiências, pelo que lhe foi apresentado etc.... mais é uma teoria bem iteressante, e não deixa de ser o caminho que a maioria segue. ( só não entendi o titulo, o óbva, é um trocadilho ou erro mesmo?? hehehe..)

ATALIBA disse...

Olha, não sei me enxergar na sua escada porque minha formação musical foi sempre em cima do Heavy Metal.
Desde que me entendo por ouvinte de música e escolhedor dos meus discos, eles foram Heavy Metal.
Isto veio principalmente da formação musical que recebi. Meu pai adora música clássica e clássicos da MPB. Com isto eu já gostava deste tipo de música a mais tempo, lógico, não conseguindo entender a integridade da beleza destas músicas ao todo com a idade que tinha.
Após isto cai no metal, onde por sua vez, tive a chance de me interessar pelo estudo de música, onde no conservatório fui apresentado aos bons clássicos do rock e outros.
Assim, eu enxergo que pulei várias partes do que você chama de degraus por causa disto.

Só discordo um pouco de chegar num ponto onde você irá pular de estilo em estilo até achar algo para lhe agradar no fim.
Vejo sempre que um estilo sempre lhe agradará. Hoje eu ouço desde Tonico e Tinoco até Dying Fetus, mas sempre, sempre, o estilo que mais me agrada, ao ponto de me tirar de casa para shows, é o metal mais extremo.

Mas que o último estágio é o da sabedoria é. É conseguir extrair do grande leque de músicas que temos, o mais belo que é o prazer de ouvir algo que nos torna melhores.
Música, é sem dúvida, uma das poucas artes universais que existem :-)

Mas legal sua teoria ... cabe bem na maioria das pessoas. mas sempre há excessões.

Henrique disse...

Num estágio mais elevado o indivíduo consegue perceber - e passa a desejar - coisas na música que somente um cérebro bem desenvolvido é capaz. Se abre para a psicodelia extrema, anseia pela originalidade. Apelos emocionais na música soam demais infanto-juvenis: o cérebro é que comanda e seu alimento, daí por diante, vem a ser a inteligência única na composição, originalidade e singularidade do artista. Não escuta mais a música, escuta a arte.

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