quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Os amigos que perdemos ao longo da vida

Esse é um post que eu só poderia escrever nesse momento. Em nenhuma outra parte da minha vida até então eu teria maturidade suficiente para conseguir confabular sobre o assunto que vou tratar a seguir. Não que maturidade seja alguma coisa mensurável, maturidade inclusive é uma caracteristica que a gente despreza ao longo dos anos simplesmente por achar que isso é uma balela. Contudo, é só lá na frente que percebemos que ela de fato existe. E mais, percebe que ela é realmente importante. Dá serenidade.

O ser humano tende a se misturar em diversos bandos de tempos em tempos. Perdi as contas de quantas vezes pensei que para sempre poderia confiar em certas pessoas, ou até estava com toda a certeza consciente de que apartir de dado momento eu iria trilhar meu caminho com os amigos do momento. Mas com o tempo vemos que a célebre frase “os amigos mudam” é uma coisa mais que verdadeira.

Antes dos 18 uma roda social, depois dos 18 outra roda social, apartir dos 20 outra roda social, depois dos 23 outra roda social... rodas sociais a vida toda. Rodas sociais, redes sociais, redes virtuais.. associações.


Não existiu pra mim um momento para mudar de amigos, tudo aconteceu e acontece ainda em decorrência do destino e dos caminhos que cada uma das pessoas trilham. O fato de você se associar por si só já é uma coisa muito arriscada. Considero que ao devotar confiança as pessoas a sua volta você automaticamente perde o livre arbítrio e o controle sobre a sua expectativa e condição de ser uma pessoa feliz.

A pessoa de muitos amigos confiáveis não é sempre uma pessoa feliz, aliás nunca será.

Bom, cada caso é um caso, mas reflitam. Se você se associa a uma pessoa de forma a se importar realmente com ela por consequencia não são somente os seus atos que vão determinar o seu bem estar, logo você estará a mercê de se tornar uma pessoa infeliz em decorrência do comportamento de outrem.

Para ilustrar, imagine você desenvolver ao longo de toda a sua vida um grandioso laço de confiança com uma pessoa e por ela devotar importância. Depois esta pessoa resolve que vai começar a beber, ou sei lá.. fazer teatro, ou se mudar para bem longe, não importa o motivo. Independente do que for, você estará sujeito a não gostar das atitudes desta, e aí o que sobrará para você é uma desconfortável balança na qual pesa-se de um lado o carinho e a necessidade de tê-la ao seu lado e do outro as atitudes e os comportamentos dela que lhe ferem.

Passamos a vida toda pesando na balança essas duas características. E assim, pelo menos em minhas conclusões, deixamos pouco a pouco de lado a importância que deveríamos dar em nós mesmos, ou seja, deixamos de lado o objetivo principal, estar feliz.

Esse pode ser um pensamento prepotente e miserável, um pensamento inimigo, aquém e contrário ao que pensam apaixonados ou indivíduos que nutrem verdadeiras amizades. Contudo, não é esse o ponto que quero chegar.

A forma correta de associação seria sempre delimitar uma linha de intimidade. Um máximo possível de invasão em território alheio. Um limite que permita viver tudo que for possível de forma agradável sem se colocar numa posição de vício, necessidade e ainda assim, manter a qualidade no fato de estar junto, compartilhar momentos e dividir sentimentos.

Provavelmente é mais fácil para o ser humano se deixar levar, entrar de cabeça no outro. Mas essa não é a fórmula que vejo para o sucesso na associações. E deve ser por isso mesmo que como muita gente também sofri muito em vários momentos por deixar lugares, deixar pessoas, deixar ocasiões. Ser deixado em lugares, ser deixado por pessoas e ver ocasiões felizes se esfalecerem no ar por pura necessidade de “sempre”.

Hoje entendo que não é fácil encontrar essa linha de limite no próximo. E quando encontra-se você ainda assim estará sujeito as dificuldades que qualquer relacionamento impõe. E logo, não estará mais sendo senhor de sua expectativa de felicidade. O mais fácil é entender que os amigos passam, e quando isso for necessário é melhor ainda entender que outros amigos vão aparecer e que sofrimento, como tudo, também é momento.


A boa notícia é que por todas as turmas por quais passamos sempre deixamos algo gravado na memória, e para alguns indivíduos destas turmas a memória se torna uma verdadeira amizade com linha de limite definida e uma balança de necessidade mútua totalmente estável. É como uma seleção que se dá de forma natural.

Não procure amigos definitivos, viva o momento junto com cada um deles, a vida vai te dizer depois de muito tempo quem deverá ficar ao seu lado e quem deverá sair, não importa o que você faça agora ou que faça depois. Isso é uma verdade universal não importa onde você esteja.

Obrigado a todos os amigos que fiz em 2010.
Obrigado a todos os amigos que fiz ao longo de toda a vida.
E obrigado a todos os amigos meus que ainda meus amigos são.

Feliz ano novo a todos vocês!

PS: Post escrito em Medeiros, sentado no sofá da sala depois de sair na praça e não encontrar nenhum dos meus amigos.

12 Comentários - :

Luciano Freitas Junior disse...

That's surprising something so emotional coming from you. I could really feel you are starting to realize the connections you make throughout your life are important somehow, I mean when you meet someone you leave a part of yourself and if you don't stay in touch this connection is lost, so is that part you've left behind. I'm used to leaving parts of myself behind, somehow I've learned how to do that when I was a child, but at some point of your life you start posting about it in your blog. But you ought to be much deeper than that if you aim to reach people's hearts. Of course, you can always start over, but you should ask yourself: Are you bonded, I mean for real, to someone? Do you even know what bond is? Or do you want to spend the rest of your life going round and round the social networks meeting new "friends" (remember to work on that definition) and after all the effort you die alone?

Luciano Freitas Junior disse...

P.S.: You should watch this movie: http://www.imdb.com/title/tt0092005/

Ciniro Nametala disse...

Antônio, o pensamento que precisamos nos desprender é o de que não pode-se em hipótese alguma ser feliz sozinho. É claro que é possível. Mas fui claro no post dizendo que mesmo associado você precisará sempre respeitar limites de individualidade, e se você não fizer isso vai passar a viver uma vida na qual você não será o dono do seu estado de felicidade. Espero (claro) que pessoas apaixonadas venham a discordar da ideia. Mas basta parar para pensar um pouco: O que você prefere ser completamente feliz sozinho ou estar sempre meio feliz acompanhado? (E antes que você continue, na minha opinião não é possível ser feliz completamente acompanhado. Mas felicidade é conceito. Escrevi já um post sobre isso também :) )

renan disse...

puts

santiagobambui disse...

Muito legal Ciniro! Eu nunca perdi a esperança em você! Fico feliz! E Feliz Ano Novo para você também.

Ciniro Nametala disse...

hahaha! Valeu san?

pauline disse...

kkkkk Acho que vc ta meio emotivo nesse fim de ano hahaha....
obs:(sinta-se privilegiado pois vc terá as melhores companhias para o seu reveillon neste ano kkk)
Beijo Xuh

trabalho disse...

é pura e infelizmente ow felizmente verdade!

MarcO disse...

interessante... muito interessante. concordo com seu pensamento. e digo que concordo hj, pois há alguns meses (nem digo anos, pq soaria mto mais tempo do que o necessário!) eu te chamaria de 'coração gelado'...
o pior de tudo é que eu ainda sou daqueles que acham que amizades são eternas e qdo a coisa me prova o contrário, eu sofro!
quer dizer...

abraços
marco

Ciniro Nametala disse...

Obrigado pelo comentário Marco :D

Valter disse...

Gostei muito do texto e concordo praticamente tudo o que você escreveu. Acho importante essa questão do respeito ao espaço alheio. As vezes você nem sabe o que está acontecendo com outra pessoa e pelas atitudes dela já sai tirando conclusões precipitadas, como se a outra pessoa não gostasse mais de você ou não te considerasse mais.

Outro ponto importante é não depender dos outros para conseguir ser feliz. Óbvio que temos a necessidade de compartilhar nossos problemas e bons momentos com outras pessoas, porém depositar a responsabilidade nos outros se sua vida está boa ou um fracasso...

Parabéns pelo texto e um abraço!

VictorK disse...

De longe o melhor post do blog, seguido do post sobre "o que é sucesso para você"

mt foda!

OBS: O post que supera todos é o dos momentos inusitados em que chorei. ( a parte do Harry Potter é hilária).

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