terça-feira, 27 de agosto de 2013

Deus

Provavelmente nem quem me conhece, quem dirá quem NÃO me conhece, faz entendimento da minha posição sobre o que penso de deus. Começando com letra minúscula mesmo.

Grande parte dos leitores desse blog, como grande parte dos latino americanos (provavelmente também leitores deste blog) tiveram algum tipo de formação religiosa. Mesmo que não seja necessariamente católica, vez ou outra tiveram ou quiseram estar em contato com algum tipo de doutrina. Em especial me dirijo aos que levantarem a mão em pelo menos uma das perguntas: Levanta a mão quem tem primeira comunhão? Levanta a mão quem fez catequese? Levanta a mão quem é batizado? Levanta a mão quem já pediu "pelo amor de Deus, Ave Maria". Não ainda... levanta a mão quem está relacionado ou conhece alguém relacionado com uma pessoa que acha o Ó do Borogodó casar na igreja?

Pois é, não tem jeito, os ritos estão em todo o lugar e não dá pra negar. Esse tipo de formação que temos sem pedir ao longo da vida, no meu ver molda em algum lugar o inconsciente do individuo tão profundamente quanto ter um pai delinquente ou um berço de ouro. E mesmo que o tempo o encaminhe para ser um fervoroso islâmico, um chato evangélico, um louco ateu ou um cagão agnóstico muito provavelmente uma certa parcela de qualquer um destes, frente a um problema REAL ou perda REAL, tem grandes chances de se redimir (muitos aqui lerão o verbo oportunisticamente: converter, mudar de idéia...) e voltar seus olhos para tão bela criatura do homem, criatura da humanidade, criador: Deus, começando com letra maiúscula agora.

É difícil definir o que seria sensato pensar do conceito, as opiniões são muitas, somos influenciados por tantas e mesmo assim as pessoas insistem em ter posicionamento único sobre o assunto: Acredito, não acredito ou prefiro não pensar nisso.

Não posso mentir. Eu pessoalmente já pensei ser muito católico, já pensei muito que Deus me ajuda, já pensei que sou abençoado e já estive crente que se rezasse alcançaria. Mas como muitos não tem coragem sequer de aceitar em seu interior, eu também já me senti completamente cético, já questionei, discuti, duvidei, bati boca e gritei aos quatro ventos que era ateu e, em muitas vezes, me vi sozinho num canto vivendo uma dúvida medonha sobre a questão. Cada fase destas contribuiu de alguma forma para a conclusão que cheguei, entretanto não percebi contribuição alguma para o que realizei em cada etapa da minha vida.

Ao contrário do que muitos pregam é possível atingir qualquer objetivo sem Deus. Contudo, acreditar em Deus é o único objetivo impossível de se atingir sem acreditar. Ou seja, a forma como você julga ser ou deixa de ser Deus pouco influi nas conquistas e fracassos de sua vida a menos que você se permita alterar comportamentos e escolhas em decorrência do SEU conceito de deus. Confuso?

Certamente existem pessoas satisfeitas e orgulhosas de suas próprias conquistas e que não acreditam em qualquer Deus, pessoas que renegam a imagem conservadora da figura e, aos olhos dos crentes, são bestas abençoadas. Também não é possível negar que devem existir indivíduos vivendo na mais conservadora posição hinduísta sob o que é Deus, e que também devem ser felizes de alguma forma com o pinto enrolado em sacrifício de forma horrenda em uma haste de madeira (...ou tristes).

O que traz entendimento é que qualquer posição tomada sob o conceito de deus é diferente da forma como esse conceito influencia nosso jeito de agir. Deus/deus e agir conforme seu Deus/deus quer, são coisas distintas.

Pode soar um tanto quanto mesquinho e herege, mas pensem comigo, se aproveitar da forma como o conceito dito influencia nossos momentos é aceitar que Deus em sua pluralidade é uma forma de catalisar forças somente quando precisamos dele. Ilustrando, em dadas ocasiões não precisamos pensar ou acreditar em Deus, ou seja, posso ser ateu nessa hora, contudo, se você julgar que precisa de uma força a mais em dada ocasião e naquela hora isso fazer sentido pra você, que mal tem você ir a missa ou frequentar a mesa espírita? Que mal tem acreditar em Deus só de vez em quando? Quem é que vai te julgar por isso? Deus?

Não creio que necessariamente precisamos viver em oferenda para ter um retorno. Abençoado é aquele que corre atrás e por isso consegue o que quer, amaldiçoado é aquele que, por um motivo ou outro, não tem condições de correr atrás e assim depende dos outros, de Deus. Eu, graças a Deus, sou abençoado e por isso posso me dar ao luxo de usar Deus como uma chave liga-desliga e não me importar com isso, afinal, eu uso o conceito para me fazer feliz quando preciso e deve ser pra isso mesmo que ele foi inventado por mim ou fui inventado por ele com isso.

Em todo caso, a culpa não é minha.

Fiquem com deus.



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