sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Carta aberta a comunidade das formigas

Ciniro Nametala - Escrito na madrugada de 8 de Janeiro de 2016 em Medeiros, Minas Gerais.

Um porco espinho no lugar do coração. Uma bola de manteiga no lugar do cérebro. Quando você corre, a manteiga escorre pelo nariz de tal forma que neosoro não adianta. Cada fio de cabelo que teimava em ser bonito começa a dar de ombros e escorrega. A vista aperta quando a placa está próxima e cada respirada a mais é uma respirada a menos.

A luz amarelada se insinua pro vento que se mete a frio. A chuva fina faz um bom barulho pra dormir. Os cachorros dormem, correm por aí durante a noite, se lambem e depois vão deitar. A noite até que passa muito rápido, mas você não concorda, acha que é devagar e, por causa disso, não para de ansiar por um novo dia. Anseia por cada nova sexta e sábado achando que nunca vai ter fim.

Uma agulha que cai no chão faz tremer o mundo das formigas, elas fofocam entre si. Levam e trazem consciência. Você ao contrário não faz fofoca, guarda bem os segredos, vive entre besouros mas já é um casulo do qual daqui a pouco sairá uma bruxa feia, cinza, das asas camurça. Os besouros nem notam, estão acostumados com vaga-lumes e não com casulos. Você se parece um vaga-lume e nem sabe. Mal passou no corretor ortográfico do Word 2000 e já se sente aquele cara em negrito e sublinhado.


Esse silêncio mata, o tempo é só seu, o espaço todo é só seu, mas vá bater batuque pra você ver onde é que as coisas vão parar. Quando ver estará sentado na sarjeta dando explicações com as pernas abertas enquanto analisam sua carteira de identidade. Estão por toda parte, são o "king size do Rio de Janeiro", não pensariam duas vezes antes de enfiar uma azeitona na sua testa. Não acho que você iria querer acordar morto deitado num lote com a boca cheia de formigas fofocando, queriria?

Pois é, você não é uma formiga, nem tão pouco um besouro. Guarde para si toda essa metideza e se ponho em seu devido lugar: A porra do ninho de ratos do qual você saiu. Ninguém te queria aqui e agora você aqui está, dando sopa pra galera como se fosse aquela que rouba todas as respiradas. Antes tivesse bosta na cabeça e cimento no lugar do coração, mas infelizmente não é assim, o porco espinho aperta o peito e a manteiga frita os miolos. Pra quem há de ser feita a reclamação?

Deus lhe deu essa boca gigantesca para nunca falar nada? Deus lhe deu esse enorme par de orelhas apenas para enfeitar a cabeça? Deus lhe deu essa cenoura no lugar do nariz para que você não veja o que está embaixo dele? Deus lhe deu dois olhos cegos e com eles, para o meu gosto, você anda vendo demais, bem mais do que deve. Eu não devo nada a ninguém, nem a você, fofoqueiro amigo das formigas. Deixe meu porco espinho em paz! Já tenho gordura saindo pelos olhos.

Cuide-se! Fui!

Obrigado por ler esse texto!
Grande abraço!

1 Comentários - :

Oiti De Paula disse...

Tô achando que eu não sou o único que não dorme!!! Dormir é para os fracos.

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