segunda-feira, 22 de agosto de 2016

15 documentários testados e aprovados

Ciniro Nametala - Escrito na tarde de 22 de Agosto de 2016 em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Eu gosto muito de assistir documentários. Também gosto muito de filmes e seriados mas quando vejo um documentário tenho a sensação de que não perdi completamente meu tempo. Apesar de que essa é uma opinião meio besta pois muitos filmes ensinam muitas coisas. Na verdade um documentário como o nome diz é um documento. Um estudo áudio-visual sobre algo que em algum momento alguém julgou valer a pena contar, mostrar as outras pessoas. A perspectiva do diretor sempre influencia no que está sendo mostrado, mesmo assim o documentário tem algo mais. Por exemplo, nem todo filme tem pretensão de fazer mais do que apenas entreter, ao contrário, os documentários sempre passam algo interessante a se saber, afinal no mínimo você estará vendo algo que é real e não fictício.

Nesse fim de semana resolvi perder algumas horas atualizando minha conta no IMDB. Nesse passa tempo classifiquei muitos filmes que já precisavam de avaliação há tempos. Se alguém tiver curiosidade de ver minhas avaliações pode acessar meu perfil aqui. São mais de 400 filmes classificados. Lembrando que eu não classifico tudo sempre. A conta estava criada, mas meio que abandonada há meses. No entanto, tudo que está lá eu realmente assisti e pensei um pouco (ás vezes muito) antes de sair dando uma nota. Eu sempre tento também balancear a quantidade de filmes ruins, médios e bons obedecendo na medida do possível uma curva de uma distribuição normal com as notas dadas. Nesse sentido já informo que, até por isso, tudo que está lá com nota acima de 7 (pelo menos pra mim) vale muito a pena ser assistido. Certamente diversas obras lá listadas você já conhecerá. Até agora, só 10 obras receberam nota 10. Exatamente 2,4% de tudo que já assisti. Não é muito, mas logicamente, poucos filmes são excelentes de verdade pro meu gosto.

Bom, depois de ter feito vários ajustes na conta, atualizado as avaliações, feito avaliações novas e tudo o mais, fui dar uma olhada nas minhas estatísticas de avaliação. Nisso reparei que só nos primeiros 6 meses desse ano eu já tinha visto quase 50 documentários. Foi quando percebi que eu realmente tenho assistido muito esse tipo de conteúdo ao longo dos anos. Como eu nunca tinha feito uma lista no meu perfil resolvi criar uma onde listei meus 30 documentários prediletos. Ela pode ser acessada aqui. A lista que está lá não está ordenada pela avaliação que fiz pois a avaliação que cada documentário tem no site do IMDB está relacionada também com todos os outros filmes e séries que já vi. Não existe uma nota específica para documentários, por esse motivo nesse post vou listar abaixo de forma ordenada os 15 melhores documentários que já assisti até agora. Lembrando que a grande maioria tem na Netflix.

Eu sei que nesta lista estão faltando documentários incríveis como Indie Game: Life After, Chefs Table, O começo da vida, Nazi Secret Files, We are religion, The Universe, The true cost e muitos outros. Alguns simplesmente não quis incluir pois são temas bastante parecidos, selecionei meio que um de cada. Outros eu ainda realmente não assisti e preciso ver. Outros que as pessoas dizem ser ótimos eu não gostei como por exemplo The internet´s own boy, Print the Legend, Rolling Papers, APEX: The history of hypercar, Secret life of Babys, Eu sou Ali e etc. Outros como making ofs de filmes eu também não quis incluir (mesmo gostando muito do documentário que conta a história do Star Wars por exemplo). Quem sabe daqui há alguns anos eu não atualizo essa lista? Bom, chega de papo. Lá vai:


1º - Cosmos: Uma odisseia do Espaço-Tempo (2014): Não é um documentário propriamente dito. É mais como uma série documental. Conta a história do universo, dos maiores cientistas de todos os tempos, seus experimentos, as contribuições/avanços dos últimos séculos e reflete sobre o importante papel da ciência para livrar-nos da ignorância. Certamente é o melhor documentário que já assisti. Muito bem feito, efeitos especiais bem construídos, roteiro, história e, acima de tudo, passa boas lições. Recomendado com certeza.


2º - Serra Pelada: A lenda da montanha de ouro (2013): Documentário brasileiro que relata com depoimentos, fotos e vídeos atuais e da época o frenesi humano pelo ouro de Serra Pelada. A história da montanha que desapareceu do dia para noite e a vida numa comunidade itinerante que se formou em seu entorno. A estruturação social temporária que foi estabelecida com hierarquia pelos garimpeiros num movimento bizarro onde poucos se tornaram ricos de verdade. Mostra também as condições do lugar hoje e a esperança de que o garimpo na região seja liberado novamente. Muitos acreditam que existe abaixo do buraco que ficou uma gigantesca pepita de ouro maciço esperando para ser explorada.


3º - Winter on Fire: Ukraine´s Fight for Freedom (2015): Da praça Maidan até a fuga do então presidente da Ucrânia para a Rússia. A incrível história de como um pequeno protesto de estudantes se tornou uma sangrenta guerra entre população e estado. As reivindicações do povo da Criméia e os mais de seis mil mortos em batalhas entre polícia e povo. Os terríveis fatos que estão acontecendo neste minuto e o desprezo da política internacional.


4º - The Propaganda Game (2015): Documentário fantástico sobre a vida na Coréia do Norte. Como a propaganda estatal faz a cabeça da população que vive em um verdadeiro RPG, um live action "real". Todas as filmagens foram autorizadas pelo governo norte-coreano e feitas por uma equipe de cinegrafistas espanhóis. O fato dos cinegrafistas serem espanhóis não é por acaso. Um espanhol fã do comunismo largou seu país e foi se tornar o primeiro estrangeiro a ser aceito pelo imperador. Logicamente tudo que é mostrado é feito sob 24 horas constantes de vigilância e a verdadeira face do país não é exposta, mesmo assim o diretor do documentário faz considerações o tempo todo sobre o que realmente está acontecendo durante as gravações. Muito interessante.


5º - VIPS: Histórias reais de um mentiroso (2010): Mais um documentário brasileiro muito bem feito. Inclusive deu origem a um filme. Neste é contada a história de Marcelo Nascimento da Rocha, um exímio mentiroso e estelionatário brasileiro. Explica com detalhes os seus principais golpes, o maior deles envolveu voar de graça em um avião exclusivo fingido ser um dos donos da GOL junto com o apresentador Amaury Jr. da Rede TV depois de ter passado dias nas melhores festas e lugares VIPS do carnaval de Salvador.


6º - Tim´s Vermeer (2013): Documentário que fui ver por apenas ver. Não esperava nada dele. No fim é um dos melhores que já vi até hoje. Tim Vermeer foi um pintor que pintava quadros tão reais, mas tão reais que é quase impossível dintinguí-los de uma foto de verdade. O único problema é que ele não nasceu em tempos onde câmeras fotográficas existiam. Esse documentário desvenda um mistério lendário: Qual técnica ele usava. O pintor estudioso do assunto que faz os questionamentos no documentário inclusive reproduz uma pintura de Vermeer e mostra os incríveis resultados obtidos.


7º - Maidentrip (2013): História de Laura Decker, uma menina holandesa de 14 anos que se torna a mais jovem mulher a dar a volta ao mundo num barco a vela absolutamente sozinha. O filme mostra seus dois anos de aventuras, os países pelos quais ela passa, o tempo presa no mar, os apertos infindáveis e muito mais. As filmagens são na grande maioria feitas por ela mesma em alta mar e sozinha.


8º - Particle Fever (2013): A tentativa de detectar o Bóson de Higgs ou a também chamada partícula de Deus foi o último grande experimento realizado pela ciência moderna. Muitos categorizaram esse momento como a possível maior descoberta de todos os tempos da física. Esse documentário conta a história de diversos times de cientistas que se uniram para tentar por meio da construção de uma máquina gigante, o grande colisor de hádrons, provar se ela existe ou não.


9º - We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks (2013): Mentiras, verdades e revelações chocantes. A história do Wikileaks e como o seu criador Julian Assange teve acesso a tantos documentos secretos vazados diretamente do coração do departamento de defesa norte-americano. A personalidade do ex-militar que vazou informações gerando impactos na política e economia mundial.


10º - An Honest Liar (2014): James Rand é um ilusionista que dedicou sua vida muito mais do que aos palcos. Ele passou anos desmascarando pastores, magos, vendedores, cirurgiões espirituais, pseudo-cientistas e toda sorte de charlatões. Esse documentário conta a história de sua carreira e sua conturbada vida pessoal por trás dos holofotes.


11º - Blackfish: Fúria Animal (2013): Esse documentário conta a história da baleia Tilikum que vivia em cativeiro no SeaWold nos EUA. Conta como era o seu tratamento, sua relação com os outros animais e tratadores. Questiona as prováveis razões que a levaram a matar sua treinadora durante um show ao vivo. O documentário mostra também a relação nada saudável entre humanos e baleias. Questiona a captura e a matança desses animais além de discorrer sobre o sofrimento que esses vivenciam visto que possuem alto grau de inteligencia e são capazes de estabelecer fortes laços sociais entre si.


12º - Amy (2015): Mais do que apenas contar a história bizarra de vida da cantora Amy Winehouse este documentário pode nós fazer questionar a natureza humana. Desde o seu anonimato até o sucesso estrondoso o filme começa contando como a fama começou, fala da sua relação com as drogas e o álcool, depois apresenta a lenta decadência de sua saúde,  a relação controversa e doentia com seu namorado e seu pai e, por fim, as polêmicas apresentações incompletas que anunciaram a chegada da sua morte no auge da fama.


13º - The Mask You Live in (2013): Esse documentário reflete profundamente sobre o papel do homem na sociedade americana. Como os esteriótipos altamente machistas e masculinizados disseminados como padrão nas últimas décadas tem sufocado jovens e gerado pessoas doentes. O filme apresenta uma reflexão sobre a premissa do "Boys dont cry" e como isso afeta a sociedade. O foco é na sociedade americana mas serve muito para culturas machistas como as do Brasil.


14º - (Dis)Honesty: The truth about lies (2015): Esse documentário discute as razões pelas quais mentimos. Apresenta uma série de experimentos realizados com diversas pessoas em busca de respostas sobre a nossa suposta compulsão por mentir. São usados testes de escore feitos em escolas, universidades, departamentos de trânsito e muito mais. A visão mostrada é bastante criteriosa e feita por estudiosos da área que chegam a conclusões ás vezes óbvias e ás vezes surpreendentes.


15º - What happened, Miss Simone? (2015): Miss Simone foi uma das principais cabos do movimento anti-racismo nos EUA e no mundo. Sua vida foi repleta de altos e baixos. Morou em vários lugares inclusive na África, cantava Jazz, R&B, Funk e Soul. Era muito talentosa. Viveu o início da vida sob os padrões lhe sujeitados pela sociedade preconceituosa mas depois se rebelou. Fez campanhas usando violência o que lhe tirou parte do seu respeito tão dificilmente conseguido. Tinha um marido violento mas no fim da vida se tornou mais violenta que ele. Muitos questionam se ela tinha saúde mental. Terminou sua vida praticamente esquecida a não ser pelas suas músicas e pela semente de tolerância que plantou. Esse documentário conta muito bem um pouco dessa jornada.

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Outros documentários também poderiam figurar nessa lista. Estar a fim de ver algum filme tem haver também com o momento. Eu quis ordenar os 15 melhores até pra facilitar caso alguém queira assistir a algum, mas mesmo assim, abaixo listo mais 15 sugestões só pra garantir que pelo menos um dessa minha lista lhe agrade!

16º - Aftermath: Population Zero (2008): Se os seres humanos desaparecem de uma hora para outra o que ocorreria com a terra, os animais, as cidades e todo o mundo como hoje o conhecemos? Esse documentário mostra os prováveis acontecimentos 5, 10, 20, 50, 100, 500... anos depois desse hipotético evento. Eu particularmente não gosto muito dos documentários da National Geographic pois são muito sensacionalistas mas esse em especial está bem acabado. É interessante pensar também nas situações que eles propõe no filme. É o documentário "divertido" dessa minha lista. 

17º - Living with Michael Jackson (2003): Documentário produzido por uma televisão britânica. O entrevistador passou semanas convivendo com Michael Jackson. Ele aparentemente faz de tudo para polemizar e julgar o rei do pop. O documentário é bom mas deve ser visto com critério e cetismo.

18º - Hot Girls Wanted (2015): Como surgiu e como funciona a indústria pornográfica americana. Esse documentário mostra relatos de garotas, suas famílias e seus empresários sobre esse mundo onde a grana é alta mas o tempo em atividade máximo é de pouco mais de 3 anos.

19º- Team Foxcatcher (2016): Um homem rico e excêntrico, sem qualidades o suficiente para praticar esportes e com uma mãe superprotetora resolve investir toda sua fortuna em um time de luta. Ele contrata um dos melhores lutadores e se torna seu principal apoiador, se diz seu treinador. Entretanto sua personalidade abusiva corrompe o atleta o transformando num dependente de drogas. O documentário analisa a história que culminou num assassinato a queima roupa.

20º - The Short Game (2013): Crianças que jogam golfe como adultos. O documentário acompanha 6 famílias e seus filhos em campeonatos de golfe onde existe muita competição. Como isso afeta a cabeça dos jogadores.

21º - Mission Blue (2014):  O esforço da maior mergulhadora do mundo para fazer com que o mar e seus habitantes aquáticos mantenham-se vivos. Esse documentário conta a história de vida dessa mergulhadora.

22º - Uma verdade inconveniente (2006): Os efeitos catastróficos causados pelo aquecimento global já se fazem sentir. Esse documentário também mostra uma projeção de como serão as condições climáticas no futuro caso nada seja feito.

23º - Virunga (2014): Os gorilas do Congo estão fadados ao desaparecimento? Esse documentário mostra qual a situação dos poucos animais dessa espécie que hoje existem vivendo de forma selvagem. Fala também do esforço de alguns moradores locais para mantê-los em segurança.

24º - All Work All Play (2015): E-sports estão dominando as massas de jovens ávidos por competições que tratem do que eles gostam mais: Games. Esse documentário conta a história do Cloud9, um time profissional de League of Legends. A vida numa Gamming House e os desafios para tentar vencer o Intel Extreme Masters.

25º - Valley Uprising (2014): História completa e emocionante de como surgiram os maiores escaladores americanos. Uma visão completa do parque nacional de Yosemite. Como baderneiros inimigos da polícia local se tornaram ao longo dos anos super atletas.

26º - Going Clear Scientology and The Prision of Belief (2015): Conta a história completa da Cientologia. Uma religião que foi criada há alguns anos e está sempre envolva em polêmicas. Polêmicas financeiras é claro.

27º - Transpatagônia (2014): Documentário de um brasileiro que cruzou toda a Patagônia de bicicleta. Um filme leve que mostra lugares bonitos e desertos.

28º - Foo Fighters: Back and Forth (2011): Conta a história inteira da banda Foo Fighters. Desde os primórdios com o fim do Nirvana até o ápice da banda num mega show para oitenta mil pessoas.

29º - Fathead (2009): Documentário que condena o consumo de carboidratos e incentiva o consumo de gorduras fazendo duras críticas ao documentário Super Size Me (2004) que condena o consumo de gordura e que faz duras críticas ao McDonalds. O autor passa 30 dias consumindo somente McDonalds e aparentemente não lhe acontece nada, ele inclusive perde peso.

30º - Dans for mig (2012): Documentário sobre dois jovens de países diferentes que buscam o mesmo sonho: Tornarem-se dançarinos profissionais. O filme mostra a saga deles em busca desse objetivo.

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Bom se você assistir algum e quiser compartilhar sua opinião basta usar a área de comentários!


Obrigado por ler esse texto!
Grande abraço!

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Jogos inesquecíveis: Atari 2600

Ciniro Nametala - Escrito na tarde de 5 de Agosto de 2016 em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Na primeira vez que eu vi um vídeo game na vida acho que tinha entre 7 e 9 anos de idade. Meu tio João Gordo (que agora é magro) morava numa casa amarela e nessa casa ele tinha ligado à sua TV um Atari 2600. Na época aquilo era pra mim um milagre, uma bruxaria, eu não tinha ideia de como funcionava. Como era possível você controlar o que estava dentro de uma televisão!?  Eu via aquilo e ficava fascinado. O console era todo preto e em algumas partes era feito de madeira, o que era lindo é hoje simplesmente impensável. O joystick era um manche com apenas um botão vermelho. Nessa época diziam os velhos que não podia-se jogar muito, afinal fazer isso "estragava a televisão".



O Atari foi lançado em sua primeira versão em 1977. O desenvolvedor do projeto foi Jay Miner, um famoso desenvolvedor de circuitos integrados da época que, inclusive, projetou também partes multimídia do computador Amiga. A faísca que gerou o vídeo game foi a integração de um chip de som e imagem chamado TIA (television interface adaptor) desenvolvido por Jay, com a evolução do chip MT 6532, produzido pela MOS Technology (Commodore), empresa da Pensilvânia (EUA). Existem versões também, por isso, chamadas de Commodore. O Atari vigorou supremo no mercado durante quase 20 anos e só foi perder sua popularidade no final da década de 80/início da de 90 quando novos vídeo games mais potentes começaram a ser lançados e fazer sucesso [1].

Atari 2600 (Atari Inc. 1977-1983)
Jogos desenvolvidos para Atari eram feitos sob restrições ligadas ao hardware que hoje podemos considerar absurdas. Programador naquela época tinha que ser bom de verdade. Os desenvolvedores tinham que lidar com limite máximo de armazenamento de 4k apenas. A ROM interna do Atari era de 16k e, somente por meio de uma técnica desenvolvida na época chamada de Bankswitch, foi possível depois desenvolver-se jogos maiores. Esses transferiam dados do cartucho para a memória interna permitindo assim usar até 16k. O famoso Asteroids foi o primeiro jogo a fazer isso. Com a RAM a solução era embutir no próprio cartucho uma expansão, o que garantia um aumento de 100% da capacidade [1] [2]. Essas ideias foram amplamente usadas em vídeo games posteriores como no caso de Mario Kart, Star Fox e Donkey Kong Country do Super Nintendo que praticamente possuem um computador próprio dentro do cartucho. Hoje sofremos e reclamamos muito quando precisamos de desempenho e espaço em computadores, garanto-lhes, já foi bem pior!

Voltando a casa do meu tio, lá não existiam muitos cartuchos. Para época o preço desses aparelhos era considerado alto. Só o Atari, num valor corrigido, custaria hoje mais que R$ 2000,00 [3]. Os jogos que eu mais gostava de jogar lá eram o de "Navinha", o do "Tarzan" e o da "Chapeuzinho Vermelho". Nomes "criativos" que eu dava pra games que na época já eram ícones da plataforma. A seguir falo um pouco sobre estes meus preferidos.

RIVER RAID (1982):

River Raid (Activision - 1982)

O River Raid é um jogo de avião. Você precisa passar pelos obstáculos sem ser atingido, deve atirar em inimigos e, quando necessário (no caso sempre), deve reabastecer seu tanque de combustível. O jogo tem velocidade e dinamismo, cores fantásticas e é muito bom! Foi inspiração para inúmeras franquias que vieram mais tarde em plataformas como NES, Mega Drive e SNES. Uma curiosidade muito bacana sobre esse jogo é que ele, antes de tudo, foi um milagre da programação para a época. Desenvolvido por uma mulher, Carol Shaw, ele possui 256 fases que, todas juntas, ocupam por completo o escasso limite de armazenamento no Atari, QUATRO fucking Kilobytes de memória! Isso foi possível pois cada uma destas é gerada em tempo real (enquanto você joga) por meio de um algoritmo inteligente. Isso num Atari 2600 com 8 bits operando a 1,19 Mhz e míseros 128  bytes de RAM é incrível [4] [5].

PITFALL (1982):

Pitfall (Activision - 1982)

O Pitfall é um dos mais, senão o mais conhecido jogo de Atari 2600. Só de olhar para imagem dá pra ver o motivo pelo qual eu chamava esse game de "O Jogo do Tarzan". Foram criadas outras versões para outras plataformas depois. A de SNES/PC (Mayan Adventure) me parece que fez certo sucesso, entretanto, de longe essa daí é a mais conhecida. Na capa do jogo você pode ver um cara se balançando num cipó e deixando um rastro de arco-iris em cores térreas (O que isso quer dizer?). Abaixo dele três jacarés querendo devorá-lo e, por meio de uma escada, o acesso a uma caverna repleta de caixas, troncos rolando, morcegos e escorpiões.

Pra quem acha que Pitfall é um jogo infinito, na verdade, ele tem um objetivo. Você precisa coletar 32 tesouros em 20 minutos. Pra quem acha que Pitfall é o nome do personagem, na verdade, você está certo. Ele se chama Pitfall Harry. David Crane, o criador do jogo, disse em uma entrevista que levou 10 minutos para bolar tudo e mil horas para programar. Na época a Activision pedia para que quem terminasse o jogo com novo recorde fizesse o favor de tirar uma foto e enviar para ela. A empresa mantinha um ranking publicado periodicamente. Por coincidência, um brasileiro é o recordista mundial de Pitfall. Rodrigo Lopes está no Guiness Book de 2007 por ter, em 2006, feito 114 mil pontos sem perder vidas e faltando quase dois minutos ainda para o fim da partida [6] [7].

BOBBY IS GOING HOME (1983):

Bobby is Going Home (Bit Corporation - 1983)

Não lembro quando mas lembro da minha reação. Muitos anos depois de jogar esse jogo no Atari, certa vez, fui pesquisar (provavelmente caçando ROM pro Stella Emulator) sobre o tal "Jogo da Chapeuzinho Vermelho". Qual não foi minha surpresa ao descobrir que o personagem nada tinha haver com a criança quase engolida pelo lobo. Ele era um cara! E se chamava Bobby! Bobby estava perdido e voltando para casa. Essa era a história real do jogo. Não me culpo por confundi-lo, afinal os pixels eram poucos e alguém lhe colocou um chapéu igual ao do Ventania. Nessas condições ser chamado de Chapeuzinho Vermelho pode ser considerado até lucro.

Esse game era difícil. Passar das fases iniciais já era uma tarefa complicada. No total eram sete e, caso você conseguisse chegar ao final, deveria entrar na casa do Bobby (pra mim a casa da vovô). Dizem que hoje em dia esse é um dos cartuchos mais raros, muito difícil de se encontrar e valorizado por colecionadores. Não encontrei nenhuma informação técnica sobre o desenvolvimento do game na internet, além do óbvio fato de ter sido desenvolvido pela Bit Corporation [8].

O tempo passou e hoje os jogos estão cada vez mais reais. A introdução de tecnologias como os óculos de realidade aumentada estão chegando pra mudar paradigmas mais uma vez, mas foi nessa época aí que tudo começou. Eu gosto muito de inúmeros outros jogos de vídeo games, pretendo escrever novos posts no futuro sendo um para cada console. Vou fazer isso conforme a vontade for aparecendo. Uma das coisas boas para relembrar essa época são os diversos emuladores que existem por aí, inclusive online. Nesse sentido, caso você queira conhecer ou relembrar, segue abaixo links para jogar agora esses três jogos inesquecíveis do Atari 2600. F1 para iniciar, espaço pra pular e setas para se movimentar. Divirta-se!

Jogar o Jogo da Navinha (River Raid)
Jogar o Jogo do Tarzan (Pitfall)
Jogar o Jogo da Chapeuzinho Vermelho (Bobby is Going Home)


Obrigado por ler esse texto!
Grande abraço!

[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Atari_2600
[2] https://thewanderingnerd.wordpress.com/2014/01/05/top-10-games-that-pushed-the-atari-2600-to-its-limits-part-1/
[3] http://link.estadao.com.br/blogs/modo-arcade/quanto-custavam-os-videogames-na-epoca-em-que-foram-lancados/
[4] http://www.riverraid.org/riverraid_history/index.php
[5] http://www.antonioborba.com/atari/os-10-melhores-jogos-de-atari-top-ten/
[6] https://pt.wikipedia.org/wiki/Pitfall!
[7] http://www.mobygames.com/game/pitfall
[8] https://archive.org/details/atari_2600_bobby_is_going_home_2600_screen_search_console_jone_yuan_telephonic_en